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Indústria | 10/06/2021
Toyota poderia vender 60% mais Corolla Cross não fosse a crise dos semicondutores
O Corolla Cross tem sido motivo de muita alegria e alguma tristeza dentro da Toyota, nas palavras do próprio CEO da marca para a América Latina e Caribe, Masahiro Inoue. A alegria deve-se à demanda 60% acima da expectativa, enquanto a tristeza fica por conta da impossibilidade de atendê-la pelo menos até o fim deste ano.

Inoue explica que o planejamento da marca era produzir inicialmente 60 mil unidades por ano, mas que o ritmo de vendas de todos os mercados atendidos pela fábrica brasileira exigiria um volume bem maior, de cerca de 96 mil unidades anuais. Isso representa uma perda de 36 mil veículos em um ano, o mesmo número de Nissan Kicks comercializados no Brasil em 2020.

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O Corolla Cross é fabricado na unidade de Sorocaba (SP), que recebeu a maior parte do ciclo de investimentos de R$ 1 bilhão de 2019 a 2021 para instalar a nova linha de montagem. Ela vai abastecer tanto o Brasil (que absorveria 75% da produção, cerca de 45 mil veículos) quanto os mercados externos (25% ou 15 mil unidades), que somam 22 países da América Latina e Caribe, exceto México. O Brasil será o maior polo de produção mundial do Corolla Cross, que hoje também é fabricado na Tailândia e em Taiwan e, nos próximos meses, nos Estados Unidos, onde o carro acabou de ser apresentado.

“Já começamos a exportar para Colômbia, Chile, Peru e Argentina, e os consumidores estão adorando. Estamos recebendo muitos pedidos, mas por causa da falta de semicondutores não poderemos aumentar a produção para atender essa demanda”, comenta o executivo japonês. “Por isso a gente está muito feliz e ao mesmo tempo estamos lamentando.”

No Brasil, o Corolla Cross fechou seu primeiro mês cheio de vendas com 3.678 unidades no ranking de emplacamentos de maio, o que faz dele o 15ª carro mais vendido ou o 6º do segmento de SUVs. Entre os SUVs médios, perde para o Jeep Compass, que comercializou 6.135 unidades em maio.

PRODUÇÃO DENTRO DO PLANEJADO



A boa notícia é que a Toyota prevê que a produção do SUV e de outros modelos da marca vai seguir dentro do planejado, sem grandes paralisações nas fábricas da região nem perda de venda como tem ocorrido com outras montadoras, especialmente a GM, que está com a fábrica de Gravataí (RS) parada desde março e, por isso, vem perdendo participação de mercado mês a mês.

“É verdade que estão faltando semicondutores, mas por enquanto, no Brasil e na Argentina, ainda temos componentes na nossa cadeia de fornecedores. Estamos com navios chegando atrasados, às vezes um ou dois dias de parada na fábrica, que recuperamos nos sábado. Isso tem acontecido, mas não vamos sofrer paradas radicais”, esclarece o CEO.

Mais do que mero discurso de executivo, a empresa realmente dá mostras de que está contornando bem a crise, quando comparada à maioria das suas concorrentes. A Toyota tem sido uma das poucas montadoras cuja produção e venda têm crescido ao longo deste ano. Ela começou janeiro com vendas de automóveis em 6.907 unidades e foi aumentando esse números todos os meses até alcançar 12.398 veículos em maio.

TOYOTA CRESCEU 65% em 2021



Isso se refletiu em um forte aumento da participação de mercado brasileiro, já que muitas montadoras não têm conseguido manter o ritmo normal de produção. A Toyota tinha 5,28% do share de automóveis em janeiro e subiu para 8,69% em maio, de acordo com os números da Fenabrave. Significa que a marca cresceu 65% em menos de 6 meses.

Mesmo se a análise for feita incorporando o segmento dos comerciais leves (no qual a Hilux é sua maior representante), o crescimento é ainda grande: a participação saltou de 6,28% no início do ano para os atuais 8,85%.

Enquanto todos gerenciam a falta dos semicondutores como podem, a resposta que os executivos da indústria mais querem saber é até quando essa crise de semicondutores vai persistir. Na avaliação de Masahiro Inoue, o cenário de incertezas e a escassez de insumos vai permanecer ao longo de 2021, o que vai impedir a Toyota de elevar seus níveis de vendas além do que já tem hoje.

“Acho que até o final deste ano o mundo inteiro vai sofrer. Então, até dezembro com certeza não dará para aumentar a produção. Mas a partir de janeiro ou abril, início do nosso ano fiscal, a gente acredita que vai normalizar e poderemos aumentar a produção conforme a demanda.”

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