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Internacional | 09/06/2021
VW e Renault são acusadas de fraude em diesel na França
A Justiça francesa está acusando Volkswagen e Renault de fraudar emissões de poluentes em veículos a diesel vendidos no país. Apesar da semelhança da acusação, são dois casos distintos, que foram anunciados com apenas um dia de diferença: o da VW foi divulgado nesta quarta-feira, 9, e o da Renault, no dia anterior. Os procuradores também estão investigando possíveis casos com carros fabricados pelo grupos PSA e FCA, que no início deste ano se uniram para formar a Stellantis.

O caso da Renault nasceu de uma investigação judicial aberta no início de 2017, dias após a VW se declarar culpada nos Estados Unidos de burlar a legislação local, com dispositivos que faziam o motor poluir menos apenas quando estava em testes de emissões.

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A Renault se defende dizendo que, ao contrário da VW, não usou dispositivos ilegais para burlar os testes de emissões. “A Renault não enganou ninguém", disse Gilles Le Borgne, chefe de engenharia da empresa. "O que sabemos do caso da Volkswagen não é o mesmo para a Renault. Não temos dispositivos fraudulentos em nossos carros e nunca tivemos."

A polêmica seria um equipamento chamado “NOx trap”, dispositivo incorporado ao sistema de escapamento que reduz os óxidos de nitrogênio provenientes da queima do diesel. Le Borgne explicou que o equipamento usado na época tinha limitações conhecidas e só funcionava de maneira ideal em baixas velocidades.

“Os limites desses sistemas antipoluição estavam ligados à segurança de nossos clientes e às suas próprias limitações tecnológicas e físico-químicas”, alegou o engenheiro. Os motores que foram investigados equipavam modelos fabricados de 2009 a 2011 e de 2013 a 2017.

A Renault está sendo multada em € 20 milhões (R$ 123 milhões) e ainda deverá fazer um depósito bancário de € 60 milhões (R$ 370 milhões) para poder bancar futuras indenizações, impostos devidos e multas.

O FANTASMA DO DIESELGATE



A Volkswagen terá que fazer o mesmo depósito, porém recebeu uma multa menor, de € 10 milhões (R$ 61,5 milhões). Seu caso é uma extensão do que ficou conhecido como o Dieselgate, o escândalo mundial que estourou em 2015 e revelou que a marca alemã trapaceou em testes de emissões dos EUA e permitiu que 11 milhões de veículos a diesel poluíssem acima do limite legal. A acusação formal da Justiça francesa foi feita no dia 6 de maio, envolvendo veículos mais antigos, mas apenas nesta quarta foi divulgada ao público.

A Volkswagen também vem enfrentando repercussão do Dieselgate na Alemanha. O processo foi reaberto no país que é sede da empresa e também no Tribunal de Justiça da União Europeia, que haviam sido encerrados em 2018 e 2020, respectivamente, segundo a marca alemã.

“Para a Volkswagen, os fatos examinados pelos tribunais franceses estão incluídos e são idênticos aos já julgados na Alemanha, mas os juízes nos disseram que, segundo eles, era necessário continuar as investigações antes de decidir definitivamente sobre o assunto”, declarou à agência France Presse o advogado da VW, Nicolas Huc- Morel.

Outra derrota recente da montadora foi em abril passado, quando um tribunal alemão decidiu que a empresa deve compensar os consumidores que contrataram financiamentos para comprar carros a diesel envolvidos no Dieselgate. Com isso, ela pagará € 3,3 mil (R$ 20,4 mil) a uma cliente que havia comprado um veículo em 2013. Essa deve ser a primeira de muitas indenizações.

VW SERÁ INDENIZADA POR EX-DIRETORES



Pelo menos a Volkswagen pode comemorar uma vitória recente envolvendo o escândalo dos seus motores a diesel. Também nesta quarta-feira, a empresa divulgou que chegou a um acordo com o ex-CEO Martin Winterkorn e três outros antigos executivos para receber uma compensação pelo envolvimento no Dieselgate.

Por esse acordo, a VW receberá € 288 milhões de euros (R$ 1,78 bilhão) em compensação, pouco perto dos € 32 bilhões (R$ 197 bilhões) em multas, indenizações e custas dos processos judiciais. Winterkorn, que comandou o Grupo Volkswagen de 2007 a 2015, vai arcar com € 11,2 milhões (R$ 69 milhões) e os outros pagarão valores entre € 1 milhão e € 4,1 milhão (R$ 6,2 milhões a R$ 25,3 milhões). Já os outros € 270 milhões (R$ 1,67 bilhão) virão dos seguros de responsabilidade de seus conselheiros e diretores.

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