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Estratégia | 15/10/2020
Renault amplia aposta na eletrificação para superar mais uma crise
Há apenas três meses instalado na cúpula do comando do Groupe Renault, o CEO Luca De Meo divulgou durante abertura do evento denominado “Renault eWays”, na quinta-feira, 15, uma redobrada aposta na eletrificação da linha de produtos para superar a crise sem precedentes vivida pela companhia, que gerou prejuízo líquido de € 1,8 bilhão no balanço financeiro do primeiro semestre deste ano.

O executivo apresentou dois novos carros elétricos, o hatch médio Renault Mégane eVision que inaugura a nova plataforma elétrica CMF-EV e o compacto Dacia Spring – o primeiro elétrico da marca romena pertencente ao grupo, baseado no Kwid, que pretende ser o modelo a bateria mais barato da Europa –, além de delinear os próximos passos da estratégia eletrificada.

“Começamos há algumas semanas uma jornada de recuperação de uma das mais duras crises da história, que chamamos internamente de ‘Renaulution’. Assim como o Mégane-e reinventa o Mégane, modelo que décadas atrás ajudou a recuperar a companhia, a Renault está reinventando a Renault e o evento de hoje dá partida a novos caminhos”, disse Luca De Meo.



O executivo lembrou que a fabricante francesa não é exatamente uma novata no campo da eletrificação: há dez anos lançou seu primeiro BEV (Battery Electric Vehicle), o compacto Zoe, que hoje já soma 110 mil exemplares em circulação somente na França e é o segundo modelo elétrico mais vendido no mundo (atrás do Tesla Model 3). Hoje a Renault tem oito modelos BEV em linha e 350 mil deles rodando no planeta. Também estão no portfólio eletrificado versões híbridas fechadas e plug-in recarregáveis do Clio, Captur, novos Mégane e Mégane Estate, além do novo Arkana. “Estamos um passo adiante na transição energética”, afirmou.

AMPLIAÇÃO DO PORTFÓLIO ELETRIFICADO



Segundo De Meo, o objetivo agora é subir a barra da eletrificação. “Até 2022, todos os nossos novos modelos terão uma versão elétrica ou híbrida, o que é de extrema importância para um mercado que em cinco anos 50% dos veículos vendidos serão elétricos ou híbridos. Nesse sentido, o executivo anunciou que o Renault Groupe assumiu o compromisso de até 2050 zerar as emissões de CO2 de suas operações e produtos na Europa, mas antes disso, até 2030, a meta é reduzir em 50% na comparação com 2010.

Além dos dois novos modelos elétricos apresentados na quinta-feira, que devem ganhar as ruas já no próximo ano, estão nos planos o lançamento de três novos híbridos para ampliar a gama Renault E-Tech. O novo powertrain híbrido, fechado e recarregável na tomada, será aplicada ao Arkana E-Tech Hybrid, o Captur E-Tech Hybrid e o novo Mégane Hatch E-Tech Plug-in Hybrid, que serão vendidos na Europa no decorrer do primeiro semestre de 2021.

Arkana e no Captur também terão versões com micro-hibridação de 12V, com pequeno propulsor elétrico que ajuda nas partidas ou para manter o carro em velocidade inercial. A ideia, diz a Renault, é oferecer todos os níveis de eletrificação possíveis com preços acessíveis.

DACIA SPRING, UM KWID ELÉTRICO PARA SER O BEV MAIS BARATO DA EUROPA




Spring Electric: com cara de Kwid, primeiro Dacia elétrico deverá ser o BEV mais barato da Europa e estará disponível em 2021, primeiro na plataforma de compartilhamento Zity

“A Dacia vem quebrando códigos e surpreendendo os mercados com algumas revoluções. A primeira foi o Logan, um veículo acessível que deu a muitos consumidores a chance de comprar um carro zero-quilômetro, incluindo compradores de modelos usados. Depois veio o Duster com seu conceito de espaço e robustez. Nos últimos 15 anos a marca vendeu 6,8 milhões de veículos em 44 países. A terceira revolução começa hoje com a apresentação do Dacia Spring Electric”, destacou Denis Le Vot, vice-presidente de vendas e marketing de regiões e membro do comitê executivo do Grupo Renault.

O executivo anunciou que o novo Dacia, um Kwid elétrico, nasce com a missão de ser o BEV mais acessível da Europa, não só no preço de venda, mas também para aluguel rápido em sistema de compartilhamento. Aliás, o primeiro cliente do Spring será a Zity, plataforma de car sharing da Renault em parceria com a espanhola Ferrovial, que opera desde 2017 em Paris e Madri e já tem 1,2 mil carros elétricos na frota compartilhados por 380 mil usuários do app. A vendas para pessoas físicas na Europa começam no meio de 2021 e as primeiras entregas estão previstas a partir de setembro.

“Estamos atendendo a necessidade de uma faixa de mercado que só a Dacia tem experiência em atender. O compartilhamento é o início ideal para um modelo elétrico urbano acessível que vai enfrentar a poluição e congestionamentos das grandes cidades”, aponta Le Vot. Ele adianta que também está nos planos o lançamento de uma versão comercial do Spring, com compartimento traseiro fechado de 800 litros para levar até 325 kg de carga em entregas urbanas.

O Dacia Spring Electric tem o visual de mini-SUV do Kwid, com altura mais elevada do solo e caixas de roda quadradas, tem espaço para quatro ocupantes e porta-malas de 300 litros. A autonomia divulgada é de 225 km em ciclo misto e 295 km no ciclo urbano (norma WLTP), o suficiente para rodar até cinco dias antes de precisar recarregar as baterias, segundo calcula a Renault pela média de rodagem diária com um carro na Europa.

RENAULT MÉGANE eVISION, UM NOVO HATCH MÉDIO ELÉTRICO




Com o eVision, Renault quer repetir o sucesso da linha Mégane no mundo dos carros elétricos

Ainda apresentado como protótipo mas já quase em suas formas finais, o Mégane eVision inaugura a nova plataforma elétrica CMF-EV da Aliança Renault-Nissan e coloca um modelo elétrico da marca no segmento mais populoso do mercado de veículos da Europa, o de hatches médios, que fornecem mobilidade individual para mais de 100 milhões de europeus.

Sobre a plataforma elétrica, as dimensões exteriores do Mégane eVision foram reduzidas em relação aos hatches médios tradicionais: ele tem 4,21 m de comprimento, algo como 15 cm a menos do que a maioria dos modelos da mesma categoria. O carro apresenta a silhueta de um SUV-cupê compacto e promete desempenho bastante esportivo, com motor elétrico de 220 cavalos. Segundo a Renault, a autonomia das baterias chega a 450 km, com potencial de ir além conforme o desenvolvimento da tecnologia avança.

De Meo promete lançar uma “família inteira de carros baseada na plataforma elétrica CMF-EV” a partir do fim de 2021. “Lembro que 25 anos atrás, em minha primeira passagem na Renault, lançamos a primeira geração do Mégane. Foi um imenso sucesso que deu origem a uma família de veículos: hatch, sedã, perua, cupê, conversível e o monovolume Scénic. Vendemos 7 milhões de modelos Mégane em mais de 40 países desde então, que iniciaram a internacionalização da marca e ajudaram a empresa a superar uma séria crise. Alguns dizem que ‘a história é uma longa repetição de eventos’. Nós certamente esperamos que isso seja verdade”, pontuou o novo CEO do grupo.

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