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Carreira | 06/03/2020
No Dia da Mulher, que presente o setor automotivo pode oferecer?
Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, o setor automotivo tem nas mãos um desafio muito maior do que o de entregar mimos às suas funcionárias: oferecer equidade de oportunidades e um ambiente justo para que estas profissionais desenvolvam suas carreiras. O nível de satisfação tem grande potencial para melhorar.



Em pesquisa com leitoras feita entre 3 e 6 de março, Automotive Business constatou que 63,6% das respondentes já se sentiram prejudicadas em sua vida profissional no setor automotivo por causa dos preconceitos e vieses inconscientes presentes nas organizações e lideranças.

Não é para menos: apesar do público feminino ser o principal responsável pela decisão de compra de carros, esta indústria ainda é um terreno pouco desbravado pelas mulheres. Entre fornecedores e fabricantes veículos, apenas 19,7% da força de trabalho é feminina. Na alta liderança das organizações, este porcentual encolhe para tímidos 6% de participação das mulheres.

Os dados são do estudo Diversidade no Setor Automotivo, realizado por Automotive Business e MHD Consultoria em 2019 a partir de entrevistas com 89 companhias do segmento.

O QUE PENSAM AS GRANDES LIDERANÇAS DO SETOR AUTOMOTIVO?


Diante de um cenário tão adverso, a única opção para as empresas do segmento é assumir a responsabilidade pelo problema e se empenhar para tornar seus ambientes mais acolhedores às mulheres e à diversidade. Esta é a recomendação dada por Antonio Filosa, presidente da FCA América Latina, durante entrevista para o especial Liderança do Setor Automotivo, que vai ao ar nos próximos dias em Automotive Business

“Precisamos espelhar a sociedade que queremos servir. É uma responsabilidade ética, mas também uma questão de mercado: se mais de 50% dos consumidores são mulheres e pessoas negras, porque não temos esta representação nas lideranças das empresas? É obrigação do setor mudar”, defende.

Para o executivo, o pensamento precisa ser pragmático: se a indústria tem um desafio quando se trata de equidade, ela precisa também assumir a responsabilidade por construir a solução. Quem tem um olhar parecido é Pablo Di Si, presidente da Volkswagen América do Sul:

“Temos um problema na indústria automotiva quando se trata de diversidade. Isto não acontece porque as pessoas são contra a mulher, o negro ou o homossexual. O que falta são as políticas para incluir estas pessoas, para entregar o que estes grupos precisam no trabalho, as coisas que permitem que todos se sintam à vontade em estar na empresa”, resume.


COMO TORNAR AS EMPRESAS MAIS FAVORÁVEIS AO DESENVOLVIMENTO FEMININO?


Se lideranças estão engajadas, o caminho é adotar ações afirmativas e políticas capazes de tornar as empresas mais convidativas para o desenvolvimento de carreiras femininas e, assim, capazes de reter estes talentos. Automotive Business perguntou justamente isso às suas leitoras: quais mudanças elas fariam para garantir equidade de oportunidades aos diferentes gêneros no setor automotivo.

A seguir, conheça as principais respostas. Com a palavra, as mulheres:

- Incluir a busca por equidade na agenda estratégica da organização
- Definição de metas de presença feminina para todos os níveis hierárquicos
- Treinamento e capacitação da liderança para entender e abordar as questões relacionadas à diversidade e participação feminina
- Estabelecimento de uma política clara e igualitária de salários e reconhecimentos
- Criação de programas de mentoria para mulheres pela liderança da organização
- Avaliar as entregas sempre por resultados, nunca por gênero
- Obrigatoriedade de participação feminina na liderança
- Investimento em formação e treinamento de talentos femininos
- Investimento em informação e transformação cultural
- Definição de políticas rigorosas contra assédio moral e sexual
- Seleção às cegas, sem que o recrutador saiba o gênero de quem se candidata à vaga
- Ampliação da licença parental para os homens, evitando preconceitos na contratação e fomentando a divisão equilibrada do trabalho doméstico
- Flexibilização da jornada e possibilidade de home office para mulheres e homens
- Formação de comitês para a discussão e implementação de ações afirmativas
- Ter ao menos uma mulher na lista final de candidatas para todas as vagas na empresa
- Trabalhar a marca empregadora para atrair mais mulheres como candidatas

Para mais informações sobre como implementar políticas afirmativas, baixe a cartilha Boas Práticas em Diversidade no Setor Automotivo, uma realização da Rede AB Diversidade com o apoio da ONU Mulheres.

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