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Mercado | 08/02/2019
Mercedes-Benz Cars reafirma aposta em expansão no Brasil
O mercado brasileiro de carros premium atualmente mal passa de 2% das vendas totais de veículos leves, somou perto de 51 mil unidades em 2018 e cresceu 9,2% sobre 2017 (considerando as oito marcas mais vendidas que ultrapassaram o milhar e emplacamentos). Esse cenário já foi melhor até 2013, mas as marcas de luxo nunca chegaram nem a 5% dos emplacamentos. Ainda assim, a Mercedes-Benz Cars reafirma sua aposta em expansão o Brasil como campo fértil para ajudar no seu crescimento global.

Britta Seeger, membro da diretoria executiva do Grupo Daimler e responsável global por vendas e marketing da divisão de automóveis Mercedes-Benz, diz que a empresa segue acreditando no potencial do País. Em sua primeira visita ao País desde 2012, ela avalia que o atual baixo nível de vendas da marca, de pouco mais de 12 mil carros em 2017 e número parecido em 2018, não copromete a projeção de que no futuro o mercado premium será mais relevante por aqui. A marca conseguiu a liderança entre os fabricantes premium nos dois últimos anos e em 2019 sustenta a estimativa que o segmento vai crescer 10%. Para garantir a ponta, este ano está programado o lançamento de 20 modelos Mercedes no Brasil, entre novos e versões.

De olho nesse horizonte, em 2013 o grupo anunciou investimento de R$ 700 milhões para construir a fábrica em Iracemápolis (SP), que iniciou a produção dos modelos Classe C e GLA em 2016 e desde então já montou 20 mil unidades, ficando até agora abaixo da metade da capacidade de 20 mil/ano – foram montados menos de 8 mil em 2018. Esta é a segunda vez que a Mercedes faz automóveis no Brasil; a primeira foi em Juiz de Fora (MG), entre 1999 e 2009, em uma aposta que não deu certo com a antiga geração do Classe A. Desta vez, contudo, executivos da fabricante garantem que a história é diferente.

“Olhamos para o futuro e vemos o Brasil é importante para a Mercedes-Benz. Estamos preparados e vamos aproveitar quando o mercado crescer”, diz Bretta Seeger.



Segundo Holger Marquardt, diretor de marketing e vendas de automóveis Mercedes-Benz América Latina, “a vantagem da fábrica de Iracemápolis é que ela é muito flexível, opera em vários níveis de produção e pode fazer diversos modelos, com tração dianteira ou traseira, isso nos deixa preparados para qualquer demanda no futuro”.

O sedã médio Classe C e o utilitário esportivo compacto GLA são montados no interior paulista atualmente em jornada de um turno por cerca de 800 funcionários, que agregam aos veículos grandes porções de componentes importados. Os dois modelos respondem por pouco mais de 60% das vendas de carros Mercedes no País. Marquardt afirma que, no horizonte de curto prazo, não há planos de introduzir nenhum outro automóvel na linha de Iracemápolis: “Por enquanto e este ano serão só este dois”.

AVANÇOS DA MARCA CHEGAM AO BRASIL



Em meio às transformações que os fabricantes de veículos vêm experimentando nos últimos anos, Bretta Seeger afirma que a Mercedes-Benz trabalha fortemente em todas as fontes de disrupção do setor: eletrificação, digitalização e conectividade, direção autônoma e o carro sob demanda, como serviço por meio de serviços de aluguel e compartilhamento. “Nossos carros seguem todas essas tendências de maneira crescente. Com poucas exceções na China, não fazemos modelos específicos para cada mercado, apenas balanceamos o mix de acordo com as características dos consumidores de cada país. Portanto, o Brasil seguirá tendo acesso a toda nossa linha com todas as novas tecnologias”, diz a executiva.

Ela cita como exemplo o novo sistema multimídia conectado da marca que interage por voz e telas coloridas com os ocupantes do veículo, o Mercedes-Benz User Experience (MBUX), que já chegou ao Brasil a bordo do recém-lançado Classe A. “O Brasil está pronto para a conectividade crescente”, diz.

Também está no horizonte a eletrificação crescente da linha. “Até 2022 teremos no mercado a família EQ de modelos 100% elétricos, mas quase todo o portfólio de produtos terá versões híbridas plug-in ou com sistema meio-híbrido de 48 volts. O sucesso de cada alternativa depende do uso em cada mercado, mas pessoalmente acredito que os híbridos plug-in vão crescer muito”, avalia Seeger.

Nesse sentido, a executiva vê como “boa oportunidade” a redução de três pontos porcentuais da taxação de IPI no Brasil para veículos elétricos híbridos com motor flex, bicombustível etanol-gasolina. Ela não confirma nenhum lançamento nesse sentido, mas admite que a alternativa está no radar da fabricante e pode ser viável se o mercado brasileiro tiver boa aceitação.

Outro ponto de interesse são os serviços de mobilidade, que já têm divisão própria no Grupo Daimler para explorar negócios como o compartilhamento de veículos. Para Seeger, existem boas chances de o Brasil receber esse tipo de empreendimento em futuro próximo.

“Todas essas tendências vão acontecer mais rápido ou mais lentamente dependendo das características de cada mercado, mas em graus diferentes todas elas vão atingir o mundo todo”, afirma Britta Seeger.

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