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Indústria | 04/10/2018
Argentina derruba exportação e Anfavea revê projeção
A pronunciada queda nas vendas de veículos brasileiros à Argentina derrubou as expectativas de exportação do setor este ano. A Anfavea, associação dos fabricantes instalados no Brasil, apresentou novas projeções na quinta-feira, 4, com estimativa de retração de 8,6% nos embarques de automóveis, comerciais leves caminhões e ônibus, que devem somar 700 mil unidades exportadas em 2018 – a previsão anterior era de estabilidade com 700 mil veículos embarcados, já menor que o recorde de 766 mil registrado em 2017.



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De janeiro a setembro as exportações somaram 524,3 mil unidades, já anotando queda de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. Em setembro foram embarcadas menos de 40 mil unidades (39,5 mil), o número mais baixo desde janeiro de 2017, em retração de 29,7% sobre agosto e recuo ainda maior, de 34,5%, sobre setembro do ano anterior.

Antonio Megale, presidente da Anfavea, destacou o tamanho do tombo provocado pela crise econômica no país vizinho, responsável por quase toda a queda das exportações de veículos brasileiros.

“Para se ter ideia do impacto causado pela Argentina, regularmente o país consome entre 70% e 75% de nossas exportações, mas em setembro esse porcentual caiu para 50%”, revela Megale.



O dirigente afirmou que por causa do cancelamento de encomendas no país vizinho as fabricantes aqui já começaram a reduzir o ritmo de produção em algumas linhas. A expectativa, segundo ele, é que a situação argentina melhore após o fechamento de acordo com o FMI. Para piorar, o segundo maior mercado externo para carros brasileiros, o México, também se retraiu este ano e as vendas para lá já caíram 50% na comparação com 2017. Megale avalia que essa condição pode melhorar com o novo acordo comercial entre os países da América do Norte para substituir o Nafta.

Enquanto isso, Megale conta que a solução para compensar parcialmente as perdas é buscar novos mercados. “O Chile vai indo bem e as vendas à Colômbia começam a aumentar como resultado do acordo comercial entre os países”, diz.

MENOS RECURSOS EXTERNOS



O tombo nas exportações também se reflete na redução das receitas em dólares dos fabricantes de veículos. Em setembro as vendas externas do setor somaram US$ 990,3 milhões, pela primeira vez ficando abaixo de US$ 1 bilhão desde janeiro de 2017. O valor foi 23,6% menor do que o de agosto e 28,6% mais baixo que o registrado em setembro do ano passado.

Nos primeiros nove meses de 2018 o valor das exportações somou US$ 11,9 bilhões, 2% acima do mesmo período de 2017. “Nesta mesma época no ano passado [as vendas externas] já tinham passado de US$ 12 bilhões, indicando que este ano podemos ficar abaixo do resultado anterior”, lamentou Megale.

Com isso, a Anfavea também revisou para baixo a projeção de faturamento externo: estima agora que este ano as exportações de veículos vão render US$ 16,1 bilhões, em leve alta de 1,6% sobre 2017 – resultado que se sustenta no campo positivo graças à queda menor das vendas de produtos de maior valor agregado, como caminhões e máquinas agrícolas. A estimativa anterior é que os negócios com clientes estrangeiros iriam representar receitas de US$ 16,7 bilhões, com crescimento de 5,4% sobre o ano anterior.

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