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Negócios | 27/09/2018
Citroën confia em crescer no Brasil com Cactus e nova estratégia
Voltar a crescer no Brasil será crucial para atingir a meta de expansão internacional da Citroën, de vender globalmente 1,6 milhão de veículos/ano a partir de 2020 (crescimento de 45% sobre os 1,1 milhão de 2017) e concentrar mais da metade das vendas projetadas de 1,8 milhão em 2023 fora da Europa (contra 26% hoje, 6% na América Latina). Também faz parte do plano figurar entre as três marcas mais bem recomendadas do mundo e ser referência em oferta de conforto.

Em visita à subsidiária brasileira esta semana, Linda Jackson, diretora mundial da Citroën, apresentou esses objetivos e afirmou que eles só serão possíveis com a recuperação de imagem e vendas no País, o que ela acredita ser possível com o alinhamento à estratégia global de oferecer aos clientes “não só um produto, mas uma experiência de marca, e para isso precisamos ter boa reputação e credibilidade”, diz. O objetivo, destaca a executiva, “é ser uma marca amada”, lastreada pela tradição de ser uma fabricante com quase 100 anos de história (completados em 4 de junho de 2019) com 50 milhões de veículos já produzidos, que apresenta inovações “inspiradas pelos clientes” e mantém os canais de comunicação abertos com eles.

“Precisamos crescer no Brasil e América Latina para garantir nossos objetivos globais”, afirma Linda Jackson.



A expectativa é que as vendas na América Latina cresçam para 7% do total em 2020 e avancem para 10% em 2023, com algo entre 60% e 70% concentrado no mercado brasileiro. Por enquanto, o Brasil segue na contramão dos resultados globais. Enquanto as vendas mundiais da Citroën somaram 573 mil unidades e cresceram 9% (+50% na China) no primeiro semestre deste ano, no mercado brasileiro a marca francesa é uma das poucas que registrou retração nos oito primeiros meses do ano (-15%, para 12.729 unidades).

Para Ana Theresa Borsari, diretora geral de marcas do Grupo PSA no Brasil (além de Citroën, Peugeot e DS), esse quadro já começou a mudar e número positivos serão incorporados a partir do fim de outubro, quando começam as entregas do recém-lançado C4 Cactus.

“O Cactus não é só um lançamento de um carro, mas de uma nova Citroën, baseada nos conceitos de experiência de marca. Ainda sofremos com a imagem de desvalorização e estamos mudando isso com foco em novos serviços e garantia de recompra após 30 meses. A apresentação do Cactus [no fim de agosto] já provocou na rede de concessionárias o maior fluxo de loja como não se via desde 2002, já existe fila de espera para comprar e para fazer test drive”, comemora Ana Theresa.



Com preço, tecnologia e design bem calibrados, o SUV compacto projetado no Brasil C4 Cactus tem a missão de dobrar as vendas da Citroën no Brasil em 2019, superando 45 mil unidades – este ano está difícil chegar a 20 mil. Os resultados iniciais são animadores: na pré-venda do Cactus aberta há um mês foram encomendadas 800 unidades e até agora só foram faturados 500 para a rede.

“Com as primeiras impressões de concessionários e clientes que já viram o carro, estamos negociando com a fábrica (de Porto Real, RJ) para aumentar nossa cota de 21,5 mil prometida para o ano que vem. Queremos mais, mas a capacidade máxima de produção lá é de 30 mil por ano (incluindo as exportações)”, conta a executiva.

MISSÃO DE RECUPERAÇÃO




Linda Jackson e Ana Theresa Borsari: planos de fazer a Citroën voltar a crescer no Brasil

Ana Theresa aproveita a chegada do novo produto à rede para introduzir a filosofia da marca no País e recuperar sua imagem. “Sabemos que não teremos uma missão fácil pela frente, mas os resultados deste último mês nos animam bastante. A Citroën já teve no Brasil reputação superior à de outros mercados e foi um exemplo mundial para a marca. O que faltava era um lançamento inovador como o Cactus, porque o cliente se ressentiu da falta de novos produtos nos últimos anos e da desvalorização que isso trouxe”, reconhece.

A recente saída da rede do empresário Sergio Habib – que introduziu a Citroën no mercado brasileiro nos anos 1990, foi presidente da marca no País e construiu sua reputação superior por aqui – impactou no fechamento de 12 lojas, mas Ana Theresa afirma que essa perda está sendo rapidamente compensada: mais oito concessionárias serão abertas até o fim do ano para serem somadas às 94 atuais, superando os 100 pontos de venda. “Não perdemos nenhuma capilaridade e o tamanho da rede no momento é adequado”, pontua.

Pelo seu lado, Linda Jackson garante que os lançamentos da marca no Brasil nos próximos anos estarão em linha com a gama mundial da Citroën, que prevê apenas oito silhuetas globais, e o C4 Cactus projetado pela engenharia brasileira do Grupo PSA “é o primeiro exemplo disso”. Não é o que vêm acontecendo até agora. Carro mais vendidos da marca em todo o mundo, o hatch C3 feito em Porto Real ainda mantém a feição antiga em relação ao modelo europeu renovado há dois anos. “Gradualmente iremos renovar toda a linha com próximos lançamentos, nossa estratégia de produtos é global”, afirma.

A executiva também afirmou que o mercado brasileiro terá acesso às plataformas elétricas e híbridas da marca, inclusive com possibilidade de produção local se houver demanda. O plano estratégico do Grupo PSA prevê a oferta de todas as possibilidades de propulsão (gasolina, diesel, híbridos e elétricos) em todos os seus carros. No caso da Citroën, Linda lembra que 80% da gama de modelos da marca terão versões elétricas e híbridas a partir de 2023, e em 2025 a linha inteira será “multienergética”.

Também deverão chegar ao Brasil até a virada da década os serviços de compartilhamento e aluguel que as marcas do Grupo PSA estão lançando por meio da unidade de negócios Free2Move, lançada há dois anos. Em Paris, por exemplo, a Citroën vai colocar 300 unidades do elétrico C-Zero para rodar em sistema de compartilhamento. Segundo Ana Theresa Borsari, a empresa participa no Brasil de projeto da prefeitura de São Paulo para tentar implementar sistema parecido no centro da cidade, em rotas limitadas.

Linda Jackson reconhece o crescimento da preferência pelas carrocerias tipo SUV em todo o mundo, mas discorda que só eles existirão em mais alguns anos. “É verdade que os SUVs crescem, mas as outras categorias como hatch e sedãs também têm o seu espaço mantido. O mais importante, no entanto, é pensar em modularidade. Um veículo hoje precisa oferecer muitas facilidades, é o que os clientes demandam”, pondera.

Nesse sentido, o cenário de mutante global pode favorecer a Citroën, marca que se tornou reconhecida globalmente pela criatividade de seu design e inovações como a suspensão ativa, tração dianteira e bancos anatômicos. “Nossa história de quase 100 anos é parte importante para criar o futuro. Seguiremos tendo um design único, reconhecido à primeira vista, e continuaremos sendo referência em conforto e habitabilidade a bordo”, resume Linda Jackson.

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