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Eventos | 23/07/2018
Detroit aquece salão com mudança de data para o verão
Janeiro de 2019 deverá ser a última vez que o Salão de Detroit, na Motor City, é realizado no inverno glacial do Estado de Michigan, no norte dos Estados Unidos. Há cerca de dois anos, a direção do North America Auto Show (NAIAS) começou conversar com clientes e planejar mudanças para (literalmente) aquecer a exibição no Cobo Hall, após sucessivas perdas de grandes expositores. A decisão foi mudar radicalmente a temperatura do maior evento automotivo norte-americano, que a partir de 2020 será realizado em junho, no verão, com adição de diversas atividades externas.

A direção do Salão de Detroit espera que a mudança revitalize o evento e volte a atrair mais expositores e público, com redução de custo operacional e aumento de atrações, com o clima mais amigável aos pedestres no entorno do Cobo Hall – algo impossível em meio às nevascas e temperaturas abaixo de 10 graus negativos do gélido inverno de janeiro.

Este ano, Audi, BMW e Mercedes-Benz anunciaram que não montarão estandes no Cobo Hall em 2019. A três marcas alemãs seguiram Mazda, Mini, Volvo, Porsche, Mitsubishi, Jaguar e Land Rover, que em anos recentes desistiram da mostra norte-americana, por entender que o salão não atraia mais grande parte de seu público alvo e não compensava os altos custos envolvidos.

Com a mudança da realização do evento para a semana de 8 de junho em 2020, os organizadores prometem maior retorno sobre o investimento dos participantes, pois estimam redução de 30% a 40% nos custos operacionais para exibir produtos no Salão de Detroit, além da diminuição pela metade do tempo gasto na preparação da exibição das atuais oito semanas para apenas quatro. Isso porque janeiro é antecedido por três grandes feriados nos Estados Unidos (Ação de Graças, Natal e Ano-Novo). A nova data no meio do ano desvia dessas paralisações e evita o pagamento de horas extras ao pessoal envolvido.

Outra vantagem é deixar de cruzar com a CES, a feira de tecnologia eletrônica que acontece uma semana antes do Salão de Detroit em Las Vegas, para onde têm rumado em número cada vez diversos fabricantes de veículos, mais interessados em mostrar as tecnologias mais avançadas de seus produtos do que os carros em si.

“Seríamos tolos em não ver a tendência do que está acontecendo na indústria e pensar que podemos continuar a fazer a mesma coisa. Temos de reformular e reimaginar o que temos de ser. Por isso o Salão de Detroit está passando pela maior transformação das últimas três décadas”, resume Rod Alberts, diretor executivo do NAIAS.



O último Salão de Detroit, realizado em janeiro passado, atraiu cerca de 800 mil visitantes e injetou US$ 480 milhões na economia local, segundo estimativas de consultorias. A expectativa é que a mudança de data melhore o desempenho do evento. “Junho abre oportunidades que janeiro simplesmente não permite. Nós acreditamos que podemos continuar a entregar significativo impacto econômico para a cidade e oferecer um evento diferente que qualquer um já experimentou”, confia Alberts.

NOVAS ATRAÇÕES


“Mover o NAIAS para o verão abre novas oportunidades para as empresas e cria novas experiências para os visitantes”, comemorou Rick Snyder, governador de Michigan, estado que abriga a Motor City e as raízes da indústria automotiva dos Estados Unidos.

Abrigar o salão sob a luz do sol e o clima ameno de junho melhora sensivelmente o ambiente depressivo, agravado pelo inverno rigoroso, da decadente Detroit após sofrer com anos de recessão econômica e abandono. Além da exposição tradicional no interior do Cobo Hall, no verão os participantes irão promover eventos externos para lançar veículos de forma mais criativa, test-drives, demonstrações de carros com tecnologia de direção autônoma e percursos offroad em pistas de simulação para modelos 4x4.

Está prevista a realização de eventos de promoção de marcas ao longo de pontos turísticos do centro antigo de Detroit, como Hart Plaza, RiverWalk (calçadão ao lado do rio), Campus Martius, Woodward Avenue e Grand Circus Park. Essas ações externas também poderão usar instalações automotivas históricas fora do centro e em parques públicos como o Belle Isle, uma ilha fluvial servida por linhas de barcos durante o verão.

“Detroit tem agora a oportunidade de mostrar sua bela paisagem a beira-rio e o centro revitalizado durante os radiantes dias de verão, em espaços que serão usados criativamente para lançar produtos que vão transformar a cidade em um ambiente autocêntrico”, diz Larry Alexander, presidente da centro de visitantes e convenções de Detroit.

Segundo a DADA, associação dos concessionários de veículos da região de Detroit responsável pela organização do salão, as mudanças de data e formato do evento foram exaustivamente discutidas nos últimos dois anos por membros do comitê executivo da entidade, a partir de uma centena de reuniões em diversos países com representantes da indústria (montadoras e fornecedores) e líderes governamentais.

As mudanças foram bem recebidas pelas principais montadoras dos Estados Unidos. “Reinventar o NAIAS como um festival de verão de design, velocidade e inovação irá mostrar o melhor de nossa indústria e o melhor de Detroit; em um evento imperdível para fabricantes de veículos e imprensa”, afirma Mark Truby, vice-presidente de comunicação da Ford.

Ele foi seguido em declaração similar pelo seu colega com o mesmo cargo na General Motors, Tony Tony Cervone: “Aplaudimos a DADA por pensar grande e aproveitar a oportunidade de reimaginar o salão e posicionar Detroit sob a melhor luz. Estamos animados em fazer parte da série de eventos dessa espécie de festival que irá mostrar o que acontece de melhor na indústria automotiva e Detroit”, afirmou.

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