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Aftermarket | 30/11/2017
Borgwarner avança na remanufatura de turbos
A Borgwarner começa a colher os resultados da implantação de uma linha de remanufatura de turbos dentro de sua fábrica de Itatiba (SP) em 2016, na qual reaproveita turbinas usadas captadas no mercado e troca parte dos componentes internos. “Serão 30 mil peças em 2017 e cresceremos 20% em 2018”, afirma o gerente geral de aftermarket, Nélson Bastos.

O trabalho envolve inspeção, troca de eixos, mancais e balanceamento do conjunto. Renovados, esses turbos recebem nova plaqueta de identificação, são embalados e seguem para o mercado de reposição. Também são vendidos para montadoras de caminhões e ônibus, que as instalam em motores retificados ou as revendem em sua rede autorizada. A empresa está apta a remanufaturar os 250 modelos que produz em Itatiba.

“As turbinas usadas são captadas em nossos distribuidores ou por uma empresa de logística reversa, que também recolhe baterias, embreagens e outros produtos que podem ser remanufaturados”, diz Bastos. “Poderíamos remanufaturar um número bem maior de peças, mas nossas turbinas usadas também são compradas por recondicionadores. E eles pagam um valor maior do que podemos porque têm custos menores que os nossos”, diz Bastos.

O executivo trata esses recondicionadores como piratas porque eles mantêm gravada na turbina a logomarca Borgwarner ou de outros fabricantes de turbos. De acordo com uma pesquisa realizada pela companhia, essas turbinas recondicionadas em desacordo com a legislação respondem por 40% das peças à venda no mercado de reposição, considerando as novas e as recuperadas com ou sem critério.

“Identificamos 13 empresas que praticam essa pirataria e já temos advogados e peritos trabalhando ao nosso lado para resolver o problema”, afirma Bastos. “Uma peça remanufaturada custa 70% do valor da nova e dura tanto quanto. Já encontramos peças piratas com preço acima do nosso, mas elas duram 40% a menos.”

Outra consequência do trabalho malfeito é o aumento de 4% a 8% no consumo. “Um caminhão que rodar 150 mil quilômetros em um ano gastará R$ 90 mil a mais com diesel”, afirma o gerente geral de aftermarket. “Nos ônibus urbanos o problema é ainda mais grave porque, além do consumo, aumenta também o desgaste da embreagem, já que o motor perde força e exige mais trocas de marcha”, informa o supervisor de desenvolvimento e assistência técnica, Newton Juliato.

Ele afirma que os dois turbos com maior demanda são o K16 e o K24, que custam, respectivamente, R$ 1,6 mil e R$ 1,9 mil quando remanufaturados pela Borgwarner. Dentro da empresa, as turbinas usadas recolhidas no mercado são desmontadas, limpas e inspecionadas numa área de 208 metros quadrados. “Criamos uma linha de desmontagem onde trabalham sete pessoas. A instalação das novas peças ocorre dentro da linha de montagem normal da fábrica, envolvendo outros cinco trabalhadores”, diz Juliato. A Borgwarner só repara as próprias turbinas.

A empresa já foi consultada pela VW sobre a possibilidade de remanufatura do turbo utilizado pelo Up! TSI, que a própria Borgwarner fabrica em Itatiba, mas a falta de carcaças disponíveis no mercado ainda impede a operação.

FALSO OU VERDADEIRO

As turbinas chamadas de piratas pela Borgwarner utilizam as carcaças ou “cascos” dessa e de outras marcas. Em regra são vendidas sem embalagem ou envolvidas apenas em plástico. O aspecto geral da peça parece normal.

As remanufaturadas pela Borgwarner têm aparência melhor, recebem uma etiqueta metálica com QR code em substituição à plaqueta instalada no turbo quando novo e são embaladas em uma caixa de papelão. Uma etiqueta de papel branco colada sobre a embalagem traz outro com QR code, dois códigos de barras, diferentes números e a identificação do conteúdo, tudo muito bem impresso.


Em sentido horário a partir do alto, à esquerda: turbina remanufaturada pela Borgwarner tem aparência geral melhor, recebe etiqueta com QR code e é vendida dentro de embalagem com várias informações e códigos muito bem impressos, que atestam o trabalho feito pela própria fábrica (fotos: Mário Curcio).
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