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Tecnologia | 30/11/2017
Engie quer levar transparência ao mercado de reparação automotiva
“Ao levar o carro a uma oficina para consertar, muitos motoristas já tiveram a sensação de serem enganados. Queremos acabar com isso e aumentar a transparência desta relação.” É assim que Gal Aharon resume a função da Engie, empresa da qual é cofundadora ao lado de Alon Hendelman e que conta ainda com a colaboração de Uri Levine, um dos criadores do Waze. Ela veio ao Brasil para lançar o serviço no mercado local: um dispositivo que, conectado ao carro, usa as informações do sistema OBD para diagnosticar problemas e reunir uma série de dados do automóvel, que são apresentados ao motorista em um aplicativo de celular.

A empresa já conta com 200 mil clientes em cinco países, incluindo Estados Unidos e México. A meta, no entanto, é escalar bastante este volume com a chegada ao Brasil, onde o plano é alcançar 2,5 milhões de usuários. O número corresponde a 5% da frota nacional que a empresa estima em 50 milhões de veículos. “Parte importante dos carros em circulação têm mais de nove anos e teriam mais interesse na solução, já que ainda não são conectados”, avalia Gal.

A tecnologia pode ser usada em qualquer automóvel, novo ou usado, desde que tenha sido fabricado depois de 2002, quando o OBD já era implementado de fábrica. A solução foi criada para garantir que, ao levar o carro a uma oficina, o consumidor saiba exatamente qual é o defeito que o veículo apresenta. Na prática, no entanto, O Engie oferece bem mais do que isso, garante a empreendedora. Além de poder detectar mais de 10 mil defeitos, o sistema alerta o dono do carro sobre a necessidade de manutenção preventiva, traz informações de consumo de combustível e ainda de tempo de condução do automóvel.

MONETIZAÇÃO COM AS OFICINAS

O modelo de negócio não está apoiado em receitas geradas com o consumidor, que paga a partir de R$ 59 para comprar o dispositivo no Brasil e usa o aplicativo de forma totalmente gratuita. A ideia é mostrar na plataforma as oficinas mais próximas do carro, com a avaliação dos usuários que fizeram serviços lá. Caso o cliente precise lidar com um defeito repentino, ele pode procurar um lugar confiável perto de onde está e ainda fazer uma cotação on-line para ter certeza de que está fazendo o conserto na oficina mais barata.

“Vamos cobrar um porcentual do mecânico quando o cliente for levado até ele pelo aplicativo e fizer o serviço. Dessa forma garantimos uma relação vantajosa para todos: o cliente soluciona um problema e os profissionais conseguem atrair novos consumidores quando oferecem preços competitivos e só nos pagam quando o negócio é, de fato, fechado”, enumera Gal, dizendo que o tamanho desta comissão ainda não está definido.

Ela calcula que, só pela possibilidade de comparar preços, a solução garanta economia média de 35% ao consumidor. Ao cobrar valor baixo para que o usuário use a solução, a empresa espera escalar o negócio rapidamente no Brasil. Assim como o Waze, o Engie funciona melhor quanto mais usuários tem. O volume, reforça a empresa, torna a base de dados robusta, garantindo diagnósticos precisos, volume maior de avaliação dos serviços das oficinas e, claro, mais interesse dos mecânicos em oferecer cotações dos serviços no app. Por enquanto a plataforma começa a rodar no Brasil somente com a função de diagnóstico e informações do carro e com a localização das oficinas, sem o preço dos serviços. Nas próximas semanas a equipe da Engie vai apresentar o aplicativo aos mecânicos, que devem começar a incluir suas informações na plataforma de olho na oportunidade de atrair clientes.

Fundada em 2014 a startup recebeu investimento inicial de US$ 3,5 milhões de fundos internacionais. Agora, para expandir a sua atuação para outros mercado, a Engie fez nova capitação. A empresa não revela, no entanto, o valor desta segunda rodada e o aporte feito para o lançamento no mercado brasileiro.
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