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Tecnologia | 23/11/2017
Caminhão Semi, da Tesla, custará a partir de US$ 150 mil
Em meio a sérias dificuldades para colocar em prática o seu plano de produzir um automóvel de alto volume, o Model 3, a Tesla revelou os preços do Semi, seu primeiro caminhão que, assim como os automóveis da marca, terá propulsão puramente elétrica. A companhia informa que os valores começam em US$ 150 mil para a configuração mais básica, com autonomia de 480 quilômetros. Já a versão capaz de rodar 800 quilômetros com apenas uma carga da bateria será oferecida por US$ 180 mil. Se quiser ser um dos mil primeiros a receber o caminhão, o cliente precisará desembolsar US$ 200 mil e comprar versão especial “Founders Series”.

A pré-reserva dos veículos já está aberta por US$ 20 mil. De fato, os valores não são exorbitantes para o segmento, principalmente porque a promessa da Tesla é de que o custo de operação do veículo será 20% menor do que o de modelos equivalentes a diesel. A empresa ainda não revelou, no entanto, a capacidade de carga do modelo, informação definitiva para entender se vale a pena investir na novidade.

As características do Semi divulgadas até aqui, como tecnologias de segurança (leia aqui) e agora o preço, são promissoras, mas o potencial de transporte do modelo pode ser justamente um dos pontos sensíveis. A suspeita é de que, para garantir autonomia tão interessante, o caminhão precise ser equipado com um pesado conjunto de baterias, o que limitaria a capacidade para transportar mercadoria, comprometendo assim a competitividade do modelo no acirrado mercado de veículos comerciais.

DESAFIOS DA TESLA

Abrir a pré-venda do Semi é estratégico para a Tesla não só para criar burburinho em torno do modelo, mas porque a empresa precisa levantar capital para manter a sua operação. Estimativa da Bloomberg aponta que a companhia precisa captar US$ 2 bilhões nos próximos meses para dar continuidade aos seus planos (leia aqui). Outro fator relevante é que a pré-venda será um bom termômetro de um público ainda inédito para a marca, o transportador de carga.

Até então os clientes que compram automóveis Tesla não mostram grande incômodo em pagar alguns milhares de dólares para reservar modelos que nunca viram pessoalmente e que, tradicionalmente, são entregues com bons meses de atraso. O mercado de caminhões, no entanto, tem lógica diferente, baseada estritamente em custo.

Outro ponto importante é que a montadora só oferece seus carros em concessionárias próprias, estrutura que tem rendido algumas conquistas para a Tesla, que foi apontada como a marca mais preparada para vender carros elétricos em recente estudo do Instituto Ipsos. Mais uma vez aqui, apesar da experiência da empresa na oferta de modelos zero emissão, as coisas podem não funcionar do mesmo jeito no segmento de veículos comerciais, em que o cliente é atraído a comprar um veículo pela vantagem que ele oferece para a operação, não pela oportunidade ou novidade.

Também não passa muita confiança o fato de a companhia tentar uma ofensiva no setor de caminhões, que tem necessidades bastante específicas, antes mesmo de consolidar seu negócio em veículos de passeio.
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