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Conjuntura | 24/08/2016
Economia mostra sinais de recuperação lenta
Em um cenário de baixo crescimento da economia global que muitos economistas classificam de “novo medíocre”, o Brasil pode finalmente começar a sair da recessão em que está metido desde o fim de 2014. “Mas a retomada não é como nos 100 metros rasos, está mais para uma prova de fundo, mais lenta”, resumiu Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, em apresentação que intitulou “Pensamentos Olímpicos sobre a Economia Brasileira”, durante o Workshop Planejamento Automotivo 2017, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 22, em São Paulo.

Barros aproveitou que o banco onde trabalha foi um dos patrocinadores oficiais das Olimpíadas do Rio para montar a apresentação que faz analogia entre modalidades esportivas e desempenho econômico. A conclusão da análise do economista é que já é possível antever, com boa margem de segurança, que o País volta a crescer já no fim deste ano e sustenta avanço moderado em 2017 e 2018.

As projeções do departamento de pesquisa econômica do Bradesco apontam para crescimento do PIB de 1,5% em 2017 e 3% em 2018, após as quedas de 3,8% em 2015 e prevista de 3% este ano. “Não é pouca coisa, tendo em vista que o mundo cresce muito menos atualmente”, pondera Barros, apontando que previsão de expansão da economia global é de 2,7% em 2016 e 2017, com desaceleração da China e retomada nos Estados Unidos que “não consegue mais levar o mundo nas costas”. Para o economista, com o resgate do tripé metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante, “está na hora de o Brasil voltar ao jogo”.

FATORES DE RETOMADA

Barros avalia que já há sinais claros de estabilização macroeconômica, que pavimenta a volta do crescimento. A inflação, por exemplo, deve fechar 2016 em 7,5% e as projeções do Bradesco apontam para 5% em 2017 e 4,5% em 2018. “Mas é bastante possível que o índice já atinja o centro da meta de 4,5% já no ano que vem”, arrisca o economista. Com isso, a trajetória dos juros é de queda: a taxa básica Selic estabelecida atualmente em 14,25% ao ano deve começar a baixar a partir de outubro e desce a 10,25% até agosto de 2017, projeta o banco.

Segundo pesquisa proprietária do Bradesco com 4 mil empresas, “os estoques estão despencando”, destacou Barros, “e o índice de confiança de todos os setores já apontam para cima”, acrescentou. Os fatores que sustentam o cenário positivo seriam a alta das exportações, a substituição das importações por produtos nacionais, retomada das obras de infraestrutura e das privatizações/concessões, inflação em baixa e o alto nível de diversificação industrial do Brasil. Com isso, o nível de investimentos, que já caiu 25% nos últimos três anos, deve avançar 4,5% em 2017 e 7% em 2018, enquanto o consumo das famílias, após acumular quedas de 4% em 2015 e 2016, tende a crescer 1% no próximo ano e 2,5% em 2018. “O investimento virá antes do reaquecimento do consumo”, lembra. O crédito acompanha esse quadro, com tímida expansão de 0,3% este ano e recuperação mais expressiva de 6,9% em 2017 e 9,1% em 2018.

O resultado desses movimentos macroeconômicos, explica Barros, se traduz em lenta recuperação do nível de atividade econômica, que na média só deve voltar ao pico recorde atingido em março de 2014 após 2020 ou 2021, com variações substantivas dependendo da área. “O setor automotivo, no melhor cenário, só deve recuperar seu maior nível em 2025, caminhões antes dos veículos leves”, projeta. “Mas podemos ter surpresas”, pondera.

O ponto ainda negativo do ciclo de recuperação econômica é o desemprego, que deve seguir na casa de 11% a 12% até 2018. A estimativa é que sejam geradas 700 mil vagas no ano que vem e outras 900 mil em 2018, “mas é preciso mais que isso, acima de 1 milhão por ano, para reverter a taxa”, explica Barros.

Dentre as propostas de medidas apresentadas pelo time da área econômica do governo interino, que Barros chama de Dream Team, o economista afirma que a restrição ao aumento dos gastos públicos, que vêm crescendo há 25 anos, será equivalente à conquista de uma “medalha de ouro olímpica”. Na opinião dele, o dispositivo constitucional que impede a elevação dos gastos além da inflação trará qualidade ao orçamento, sem no entanto comprometer o crescimento nem os programas de inclusão social.

Assista abaixo a entrevista exclusiva de Octavio de Barros a ABTV:

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