home not�cias an�lise quem � quem ABTV

acesse aqui a versão padrão

Aftermarket | 05/08/2014
E-commerce para a reposição automotiva
Acreditar que o mundo digital já está acontecendo no aftermarket automotivo é uma falácia. Essa é a visão do Sindirepa Nacional, entidade que congrega 15 entidades patronais da reparação de veículos em todo o Brasil, perfazendo 97 mil estabelecimentos de serviços automotivos independentes. Como acreditar que um simples clique no computador resolverá os problemas de desabastecimento, falta de padronização de autopeças, isto sem contar o desconhecimento sobre a frota circulante em detalhes em toda a América? É possível garantir que aquela peça é, por exemplo, de um Corolla 2010? Como garantir que não houve alteração, assegurar que a montadora não trocou de fornecedor, ou que aquela é a peça certa no lugar certo? Hoje, a nosso ver, somente as montadoras gozam desta condição.

Tentar utilizar as ferramentas digitais abertamente na reposição automotiva é implodir uma cadeia de valor. Estamos sendo sorrateiramente atacados por soluções milagrosas que estão reforçando a tese de produção empurrada de cima para baixo. O setor de oficinas não pode ficar omisso a esta intromissão irresponsável, ou alguém tem alguma dúvida sobre as inúmeras codificações que uma peça recebe desde que sai da fábrica até chegar à oficina?

Outro aspecto diz respeito ao fato de as oficinas mecânicas terem o faturamento composto por mão-de-obra + peças. Existe todo um custo administrativo, de pesquisa, de crédito e da aquisição de uma peça e esta equação não pode ser colocada em risco para que entrantes da cadeia de valor estejam de olho apenas no lucro do negócio em detrimento de quem gera empregos, mantém 80% da frota circulante e garante mais de R$ 15 bilhões em compra de autopeças só no Brasil.

Recentemente, em conferência na Cidade do Panamá, líderes das maiores cadeias comerciais norte-americanas reforçaram que o setor independente de aftermarket precisa primeiro conhecer a frota circulante para depois estabelecer padrões de codificação das autopeças. Só assim poderá alçar voos em direção a um comércio eletrônico. Hoje na América do Norte somente as relações eletrônicas B to B é que encontram algum benefício. Na relação distribuidor de autopeças com o varejista de autopeças já se observou que no atendimento telefônico é possível atingir a capacidade de 7.040 chamadas/mês, enquanto que na eletrônica se chega a 330 mil atendimentos/mês, mostrando claramente ganhos de produtividade, minimização dos custos, mas mesmo assim não eliminando o telefone em função de inúmeros erros de codificação, peças erradas, aplicações indevidas, entre outros. Essa situação mostra a necessidade veemente de conhecer a frota e padronizar códigos de autopeças.

Pode parecer que o aftermarket automotivo esteja solto ou venha a ser uma potencial cobaia para as startups, mas é preciso respeitá-lo e entender que existem inúmeros fatores a serem resolvidos antes de implementar soluções milagrosas. Este aspecto é reforçado pelo fato de vivermos em um País onde o “faça você mesmo” conhecido internacionalmente como “Do It your self” não é utilizado em larga escala, onde a manutenção preventiva ainda é um desafio cultural, onde a infraestrutura de banda larga é deficiente, onde a logística é um dos orgulhos de nossa cadeia de suprimentos em detrimento de todas dificuldades conhecidas. O segmento que não pode ser ameaçado por uma solução boa apenas para quem está no escritório e se baseia em uma análise superficial, porém, sintetizada em uma apresentação de Power Point de primorosa elaboração, mas perversa para quem está na operação.

A Europa parece ter encontrado seu modelo através do sistema TECDOC, porém, os Estados Unidos também encontraram o seu através do ACES/PIES, isto sem contar os modelos de cada montadora. O PartsLink24 permite que, em 3 cliques, você chegue na peça original da montadora. Parece que temos momentos de esquecimento e deixamos de estudar o que Europa e Estados Unidos já fizeram, afinal nossa indústria tem seu berço nestes continentes e os dos juntos somam mais de 500 milhões de veículos automotores em sua frota. Acho que vale a pena dar uma olhada lá antes, mesmo sabendo que nem tudo pode ser copiado.

A oficina quer a peça certa no lugar certo!
[ voltar ]