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Tecnologia | 11/10/2012
Hannover 2012, o IAA da eficiência
Mário Massagardi*

O IAA, exposição internacional de veículos comerciais que nos anos pares ocorre em Hannover, na Alemanha, é um dos maiores e mais importantes eventos da indústria automobilística. Apesar de que em 2013 se iniciará na Europa a implementação da legislação de emissões veiculares Euro 6 para comerciais médios e pesados, as tecnologias relacionadas a este evento não tiveram destaque nem nas coletivas de imprensa e nem nas áreas de exposição.

Isso se deveu a dois motivos principais: primeiro, a adaptação dos motores para o Euro 6 pode ser considerada como um ganho incremental sobre o Euro 5, sem grandes rupturas tecnológicas. Segundo, estando a poucos meses do início da era do Euro 6, todos os fabricantes têm como pré-condição ter a tecnologia adaptada aos seus veículos. Assim, nenhum consegue propagandear vantagem tecnológica ou ambiental sobre os outros concorrentes.

O grande apelo da exposição, por outro lado, estava na beleza e na modernidade dos modelos 2013, além da divulgação de uma série de soluções, algumas tradicionais, outras bem inovadoras, para aumentar a eficiência energética dos veículos e assim reduzir o consumo de combustível e as emissões de gases de efeito estufa. Essas soluções ocuparam áreas de destaque de todos os espaços da exposição, tanto das montadoras como dos fornecedores sistemistas.

ELETRIFICAÇÃO

A tendência europeia mais declarada é a da eletrificação, que se inicia com soluções simples como o “stop-start”, passando pelas criativas formas de motorização híbrida diesel-elétrica, chegando até mesmo à eletrificação total de alguns veículos mais leves – estes anunciados erroneamente como geradores de “emissão zero”. Na Alemanha, por exemplo, ao se usar um veículo elétrico, o consumidor tem mais de 50% de chance de estar emitindo gases de efeito estufa pela queima do carvão, não no seu veiculo, mas na usina que está gerando a eletricidade que será consumida.

Era também notável o esforço das montadoras para convencer o público presente de que veículos híbridos ou elétricos podem ser economicamente viáveis, apesar de custarem algumas dezenas de milhares de euros mais caro que as versões tradicionais a diesel. Essas tecnologias precisam ganhar em escala e reduzir seus custos para se tornarem realmente viáveis nas próximas décadas. Por enquanto, na situação atual de preços, não há conta que feche mostrando vantagens se o fator de decisão para adotar essas novas tecnologias for apenas o econômico.

ALTERNATIVAS AO DIESEL: GÁS NATURAL E BIOMETANO

Ao contrário das edições anteriores do IAA, os biocombustíveis não tiveram nenhum destaque nas exposições. Quando perguntados, os expositores tinham como resposta o posicionamento de não dar destaque a combustíveis que fossem feitos de matérias-primas concorrentes no uso do solo e dos recursos com a geração de alimentos.

Realmente, nos últimos anos, a imprensa na Europa e Estados Unidos tem tocado nesse aspecto sensível, tendo como alvo o metanol americano e o biodiesel europeu. Parece que foram bastante convincentes sobre isso. O que torna o tema biocombustível cada vez mais brasileiro, já que o nosso país tem solo fértil e tecnologia agrícola para produzir biocombustíveis e alimentos para atender, sem conflitos, a nossa demanda.

O único combustível alternativo ao diesel destacado pelos fabricantes foi o gás natural veicular e, como consequência, sua variante renovável o biometano. Todas as montadoras apresentaram veículos adaptados para o uso com o gás natural, ou em soluções dedicadas, ou ainda em soluções flexíveis com gasolina ou diesel.

Caminhões movidos a gás natural liquefeito estavam em exposição, com armazenagem de combustível para ter mais de 800 km de autonomia. O gás natural é atualmente um combustível abundante em muitas regiões do planeta e novas reservas estão sendo descobertas. Seu uso em veículos comerciais pode ser vantajoso tanto comercialmente como ambientalmente. O IAA está então confirmando as afirmativas do IPCC (Intergovernmental Pannel for Climate Chance) que, em 2011, publicou um artigo defendendo que podemos estar entrando na era de ouro do gás natural.

CRIATIVIDADE EM ALTERNATIVAS

Muitas eram as soluções para se ganhar eficiência energética nos veículos: sistemas que recuperam calor dos radiadores dos veículos e transformam isso em contribuição adicional de torque ao motor; soluções híbrido-hidráulicas, mais simples, robustas e baratas que as soluções híbrido-elétricas; melhorias aerodinâmicas e redução de peso nos veículos; sistemas eletrônicos para controlar o consumo de combustível.

Exemplo interessante é a proposta dos sistemistas em substituir os espelhos retrovisores dos ônibus e caminhões por microcâmaras, ganhando assim em aerodinâmica. Com isso se economiza 0,5% do combustível e, conforme disse um renomado executivo de engenharia brasileiro presente no evento, cada pequena contribuição é muito importante.

PRESENÇA BRASILEIRA

Executivos das empresas e jornalistas brasileiros podiam ser vistos em todos os lugares da IAA, mas nenhuma empresa deu tanto destaque às soluções demandadas pelo mercado latino-americano como a MAN. Em sua bela e ampla área de exposição, a MAN adotou como tema central a “eficiência energética ao redor do mundo”, mostrando suas soluções globais, mas deixando espaço de destaque para as suas empresas regionais.

A MAN Latin America expôs três protótipos com soluções específicas para o mercado brasileiro, com ganhos tanto na robustez como na eficiência energética. O seu ônibus flexível diesel-gás e o caminhão híbrido-hidráulico estavam entre os protótipos mais fotografados do evento.

* Mário Massagardi é diretor de vendas da divisão Diesel Systems da Robert Bosch
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