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Carreira | 01/12/2011
A floresta sob o solo
Um site que gosto muito é o www.ted.com (ideias que merecem ser divulgadas, TED vem de tecnologia, entretenimento e design). Assisti há pouco tempo uma palestra de Rachael Sussman, fotógrafa que está trabalhando num projeto de documentar os organismos vivos mais antigos do planeta. O que me chamou muito a a atenção, foi uma floresta sob o solo, em Pretória, África do Sul, que chega a 13.000 anos de idade.

Segundo os biólogos essa árvores se adaptaram ao lugar e, para não perecerem nos incêndios, crescem abaixo do solo. O que se vê na superfície são algumas folhas, que na verdade são o topo da árvore que tem seus galhos e raízes debaixo do chão.



Dessa forma, na ocorrência de um incêndio, somente esse tanto seria afetado e o organismo estaria a salvo. Com isso em mente, tracei um paralelo com indivíduos e organizações.

Convivemos com muitas pessoas no ambiente de trabalho, mas o que sabemos delas é quase sempre superficial. Já ouvi e fiz vários comentários sobre colegas que seguramente foram tecidos em base ao que se observou deles no dia-a-dia. Avaliamos alguém pelo pouco que ele deixa transparecer no ambiente corporativo.

Pessoas são parecidas com as árvores de Pretória. Os mais extrovertidos mostram mais, os mais tímidos menos. No entanto, ninguém está ali expondo 100% de si mesmo. Quanto mais hostil for o clima, mais reservados serão os colaboradores para se preservarem. Empresas em que a liderança é exercida a força, de maneira rude, onde se caçam culpados, recebem apenas uma pequena parte de empenho da força de trabalho. Em ambientes como este é preciso muito mais gente para levar a cabo o serviço.

Naquelas em que o clima é mais ameno as pessoas expõem-se mais, pois sabem que, mesmo na adversidade, sua existência não será ameaça. Por isso, os colaboradores aceitam fazer mais, tomam a iniciativa. Nos sistemas de avaliação de desempenho pesa mais os objetivos a serem alcançados do que as habilidades interpessoais. O resultado vale mais. Não existe possibilidade alguma, no entanto, de as metas serem alcançadas se as pessoas envolvidas no projeto não estiverem unidas pela cola invisível do propósito. A fórmula dessa cola leva emoção, valores e motivação.

É preciso entender que, para serem eficazes, seres humanos precisam ser tratados como tal. Tarefa complexa, como complexo é o protagonista. Empresas que souberem integrar os propósitos de seus colaboradores aos seus com um ambiente corporativo virtuoso, fomentarão o crescimento dos indivíduos e da organização. Ao contrário das árvores de Pretória, essas companhias permanecerão saudáveis por longos anos sem que precisem se esconder no solo.
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