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Carreira | 19/10/2011
Sem garantias
A GM acaba de anunciar um plano de demissão voluntária aos seus 5047 colaboradores mensalistas e 8450 horistas. No comunicado oficial a companhia diz que as razões da decisão são a intensa competitividade do mercado brasileiro de automóveis, os custos crescentes da mão-de-obra, matérias-primas e insumos em geral, além de uma concorrência assimétrica gerada, entre outros fatores, por uma guerra cambial. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região comenta: “São medidas contraditórias, que não representam a realidade vivida hoje pela fábrica”.

Antigo esse embate. De um lado a montadora, que busca adequar-se à realidade do setor. Do outro estão os colaboradores, que lutam para manter os postos de trabalho. O dinamismo do mercado sempre cria situações assim.

Nos jornais são constantes as notícias sobre novas fábricas que serão construídas para suprir a demanda projetada para o setor automobilístico. Fiat e VW, líderes de mercado, garantiram novas plantas. Também as montadoras que não fabricam no Brasil e foram atingidas pelo aumento do IPI para carros importados correm para ter suas unidades produzindo o mais rápido possível. Estas fabricantes vão, sem dúvida, gerar muitos postos de trabalho capazes de absorver o excedente das que estão demitindo.

Os sindicatos precisam ficar com um olho no gato e outro na frigideira. Além de defender a manutenção dos empregos em suas regiões, eles não podem perder de vista o crescimento da oferta de postos de trabalho na indústria. As fábricas mais antigas precisam ganhar mais competitividade, com investimento na modernização do parque industrial com mais automação e diminuição de postos de trabalho. É isso ou perderão a capacidade de competir e serão substituídas por unidades mais modernas.

Olhando pelo ângulo de recursos humanos, a máxima de que não há garantias quando o assunto é emprego é mais uma vez trazida à mesa. A regra vale para o trabalhador na linha de produção, para o analista e o engenheiro no escritório e para o executivo. Todos correm os riscos de ver suas posições desaparecerem e de ficarem sem emprego. Isso ocorrerá um dia. Penso que a vida corporativa é como jogo de sinuca. Todas as bolas acabarão na caçapa. Se vai ser na sequência ou não depende das possibilidades do jogo.

Sabendo disso ainda me espanto com o número de pessoas que são surpreendidas pela demissão, convite a ela (PDV), ou com a chegada da aposentadoria. Faz parte do jogo! Da mesma maneira que faz parte do jogo procurar uma posição melhor em outra empresa.

Conversando com amigos que me procuram para saber o que penso sobre trocar de posição após muitos anos num lugar, noto que o emocional pesa mais que o racional nestes momentos. Tratamos o assunto como se fosse uma questão familiar. Claro que tantos anos de relacionamento criam vínculos e, enquanto todos se beneficiam da relação, o ideal é mantê-la. Já quando um lado precisa de mais e o outro não entrega, é hora de mudança.

O processo é absolutamente justo. A empresa pode demitir e o empregado pode pedir demissão. Vivemos um momento ímpar, com oferta de empregos muito boa, mas isso pode mudar. Se haverá um emprego disponível para quem perdeu o seu, ou se a empresa encontrará um substituto à altura do que partiu, vai depender de muitos fatores. As chances são grandes para ambos mas só uma coisa é certa: não há garantias.
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