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Autopeças | 21/03/2011
Foguetório depois de Denise Johnson
A GM não foi hábil para manter no cargo a presidente Denise Johnson, mas correu atrás do prejuízo que representou sua demissão, atribuída a ‘questões pessoais’. A saída da executiva, que mal emplacou oito meses à frente da operação brasileira, não foi explicada de forma satisfatória e talvez só o tempo permita esclarecer. O mercado continua tentando entender o que se passou.

No rol dos motivos para a demissão surgiram possibilidades como a ausência da família, a falta de entendimento com os diretores brasileiros, não adaptação ao ambiente de trabalho, a liderança forte de Jaime Ardilla, problemas com qualidade e andamento de projetos, falta de recursos para dar continuidade a compromissos assumidos junto ao mercado, remessa de lucros (que a filial nega sistematicamente). Talvez seja razoável aceitar que um pouco de tudo isso contribuiu para a decisão.

Para apagar a impressão de que algo não vai bem na operação brasileira algumas iniciativas foram tomadas pela fabricante no curto prazo. Uma delas foi despachar o vice-presidente Marcos Munhoz para Joinville, em Santa Catarina, onde o projeto de construir uma fábrica de motores para atender o projeto Onix, de Gravataí, RS, passou por seguidas derrapagens. O efeito da incursão foi rápido: nos dias seguintes os jornais noticiaram que o programa vai decolar. E deve mesmo decolar, senão faltarão motores para os carros pequenos que Gravataí vai montar.

A equação dos motores pode ter sido um dos desapontamentos de Denise Johnson. A Fiat avalia a construção de novos motores bicilíndricos em Suape, enquanto a Volkswagen avança no projeto de motores de três cilindros para a fábrica de São Carlos. A Ford trouxe o Sigma de alumínio, disponível no Focus e New Fiesta. A Honda oferece motores modernos, de alumínio. A Toyota e a Hyundai armam suas surpresas. E a GM, como fica diante dessas iniciativas? Será que prepara alguma surpresa para Joinville, ou produzirá mais do mesmo?

Akerson no Brasil

Trazer neste momento ao Brasil Dan Akerson, chairman e CEO da corporação GM, foi outra iniciativa para reconquistar a confiança do mercado local. Não que o executivo tivesse algo de grande impacto na manga. Ele anunciou a criação do terceiro turno e a contratação de 1.500 trabalhadores para a fábrica de São Caetano, que vem registrando ganhos logísticos e transferiu parte da estampagem para a unidade de Mogi das Cruzes. Akerson repetiu, também, que quatro veículos totalmente novos serão produzidos na planta do ABC, onde a capacidade subirá de 200 mil para 250 mil veículos por ano.

O anúncio aconteceu dia 18 de março, durante audiência com o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, com a presença de Jaime Ardila, presidente da GM América do Sul, e Marcos Munhoz, vice-presidente de comunicação, relações públicas e governamentais da GM do Brasil.

"O Brasil é um mercado-chave na economia global e os investimentos que estamos fazendo no demonstram nossa confiança no seu potencial de crescimento. O país é o terceiro maior mercado da GM no mundo e o segundo maior da marca Chevrolet", destacou Akerson, no mesmo tom das declarações recentes de seus concorrentes que têm operações no Brasil.

A retomada da fábrica de motores em Joinville e o discurso providencial de Akerson ainda são pouco para Jaime Ardilla ficar à vontade com o andamento dos negócios no Brasil, diante de um ambiente cada vez mais competitivo e da necessidade de oferecer novidades. A família Onix, baseada em projeto originado na Coreia, é uma das cartadas mais importantes na renovação do portfólio da Chevrolet.

Dos R$ 5 bilhões que a empresa aplica entre 2008 e 2012 há R$ 3,67 bilhões destinados às unidades paulistas:

*R$ 1,4 bilhão – modernização da fábrica de São Caetano do Sul e sua adequação à produção de novos modelos e também da unidade de produção de componentes de Mogi das Cruzes.

*R$ 700 milhões – adequação da unidade de São Caetano do Sul e desenvolvimento de um novo veículo.

*R$ 600 milhões - desenvolvimento da nova família Onix de veículos no Centro Tecnológico de São Caetano do Sul e no Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba.

*R$ 800 milhões – desenvolvimento e produção de dois novos veículos no Complexo de São José dos Campos.

*R$ 170 milhões – duplicação e modernização do Centro Tecnológico de Engenharia e Design da GM em São Caetano do Sul e no Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba, incluindo a construção de novos laboratórios e pistas de testes.

A GM completou 2010 com 21,20% de participação nas vendas de automóveis, atrás da Fiat (22,36%) e VW (22,34%), e de 13,68% entre os comerciais leves (atrás apenas da Fiat, que registrou 20,53%). A companhia informa que suas vendas vêm apresentando crescimento médio de 50 mil veículos por ano, o que justifica os avanços na manufatura em São Caetano, onde são montados o Astra hatch e sedã, Vectra hatch (GT) e sedã, o Classic sedã e a nova picape Montana.

O terceiro turno de trabalho em São Caetano funcionará da meia noite às 06h05min. O primeiro turno, por sua vez, se estenderá das 06h00 às 15h18 min, enquanto o segundo, das 15h13min à 00h12 min.
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