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AB | 28/07/2010
O terno
Após anos de serviço para uma multinacional, meu cliente me procurou para um aconselhamento. Seu relógio interno lhe dizia que era hora de fazer um balanço, reavaliar sua trajetória pessoal e profissional.

Em nosso primeiro encontro perguntei-lhe o que esperava atingir no final do programa. Ele me indicou que precisava ter certeza se a hora de deixar a empresa havia chegado. Queria flertar com a possibilidade de um recomeço profissional. Juntos, procuramos os sinais que ele mesmo havia deixado na estrada.

Para nossa próxima sessão, sugeri como lição de casa, que revisitasse seu passado, pessoal e profissional, para que pudéssemos avaliar como ele se comportou diante dos desafios que a vida lhe impôs. A segunda reunião foi mais emocional. Ele se empolgou com o exercício. Disse que foi fundo e se deliciou com suas memórias e que escreveu mais do que julgaria possível quando o provoquei.

Ao lermos sua biografia ficou claro que ele já havia superado muitas dificuldades. Todas deixaram marcas e fazem parte de sua personalidade. Não foi difícil convencê-lo que era um vencedor. O que estava faltando era um pouco de reflexão sobre tudo o que já havia superado. Uma reflexão guiada, pois se há algo difícil de fazer é conseguir ser imparcial quando o assunto somos nós mesmos.

Como o jogador de futebol no centro do campo, a visão de nossas vidas, apesar de ampla, é feita de nosso próprio referencial. Mas se alguém olhar de um nível mais elevado verá outras ‘jogadas’. Ao apresentá-las ao protagonista, ele tem totais condições de buscar a melhor para seus dilemas. Sempre me emociono quando encontramos as respostas e podemos iniciar o desenho do plano de vida de meus clientes. A energia é enorme. Assim fizemos. Nossos dois encontros posteriores foram altamente criativos e profícuos.

No final meu cliente me surpreendeu. Foi além! Criamos o plano B e ele gostou tanto que criou o C. Ficou convencido que apesar da importância de conhecer o mercado, o que realmente interessa são seus objetivos, suas competências e o que esta fazendo para chegar lá. Entendeu que tudo o que fez até hoje o capacitou para seguir e ir além, no seu próprio emprego ou em outro lugar.

Ao ousar desvestir o terno corporativo e buscar ajuda, entendeu que seu corpo podia vestir outros, e iniciou sua busca por um modelo mais confortável. Se vai encontrá-lo ou não ele ainda não sabe. Mas já percebe as habilidades necessárias para sua escolha. Se optar pelo atual, saberá que era seu número e poderá com uma clareza sem precedentes, seguir seu caminho na empresa onde esta. Se encontrar um novo, poderá usá-lo sem saudades do velho. E já percebe que a busca é muito mais ampla do que o plano profissional. Precisa ampliar seus horizontes no plano físico, emocional, social e espiritual.

Despertou!

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Ivan Witt
28 de julho de 2010
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