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Opinião | 22/01/2019
Ar-condicionado automotivo esconde contribuição ambiental
Arthur Ngai O sistema de ar-condicionado automotivo pode ser um importante aliado para tornar os veículos mais sustentáveis. Isso porque as emissões evaporativas de efeito estufa do fluido refrigerante podem ser dramaticamente reduzidas com o uso de substância de baixo impacto ambiental, algo ainda esquecido pela legislação brasileira, que recentemente regulou a evaporação de hidrocarbonetos (combustíveis).

Da mesma forma como geladeiras, aparelhos de ar-condicionado comerciais e industriais e câmaras frigoríficas, o sistema de climatização dos veículos usa um fluido refrigerante. O mais comum usado hoje na indústria automotiva nacional é o R-134a – um hidrofluorcarbono (HFC) desenvolvido após o Protocolo de Montreal, acordo ambiental que instituiu a eliminação gradual do uso dos clorofluorcarbonos (CFC) e hidroclorofluorcarbonos (HCFC), a fim de eliminar o impacto que a utilização dessas substâncias tem na degradação da camada de ozônio. Embora o R-134a seja um HFC, menos nocivo do que os CFCs e HCFCs, ele ainda possui alto GWP (Potencial de Aquecimento Global), contribuindo para o efeito estufa.

Há alguns anos, globalmente, a indústria automotiva se movimenta para diminuir esse impacto ambiental, mas no Brasil ainda não existe legislação que controle ou exija mudanças nesse sentido por parte dos fabricantes de veículos.

Em países da Europa, América do Norte e no Japão já existe obrigatoriedade de adoção de fluidos refrigerantes sustentáveis desenvolvidos para o uso em automóveis. Uma das alternativas é a hidrofluorolefina, ou HFO. O HFO-1234yf oferece alto desempenho de refrigeração para o ar-condicionado, tem baixa inflamabilidade e baixíssimo potencial de aquecimento global (GWP = 1). Foi considerado bastante seguro após testes realizados pela indústria.

NÚMEROS QUE IMPACTAM



Como potencial forma de amenizar os impactos à atmosfera, a adoção de HFO vem crescendo nos últimos anos. Isso porque, em comparação com o R-134a, a nova tecnologia representa uma redução de mais de 99,9% no valor de emissões evaporativas de efeito estufa (GWP). Se traçarmos um paralelo entre o efeito do uso de HFO-1234yf com a produção de CO2 gerado a partir da queima de combustível, a substituição de fluidos refrigerantes pelos novos HFOs equivalem a deixar de consumir 3 mil litros de combustível por ano. Além disso, outro ponto importante é o fato do ciclo de vida do HFO-1234yf na atmosfera ser de apenas 12 dias, enquanto que para o R-134a essa duração é de 13 anos.

As metas são agressivas nesse mercado. Até 2020, espera-se que 140 milhões de veículos utilizem o HFO, o que pode evitar o equivalente a 325 milhões de toneladas de CO2 emitidos até 2025.

Portanto, o mercado já dispõe da tecnologia para reduzir o impacto ambiental dos fluidos refrigerantes. No Brasil, a indústria já encontra o HFO disponível para equipar os sistemas de climatização automotiva. Entretanto, o fluido refrigerante sustentável só é encontrado em carros importados. Independentemente de programas de incentivo, como o Rota 2030, espera-se que as montadoras ampliem seu compromisso com a inovação e sustentabilidade nos próximos anos, passando a explorar novas soluções concretas de contribuição ambiental.



* Arthur Ngai é gerente de negócios de produtos fluorados da Chemours, fornecedora de produtos fluorados, tecnologias de titânio e soluções químicas

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