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Negócios | 01/10/2018
Sobre as desculpas para não planejar
Certamente você já ouviu inúmeras vezes a frase o clichê de que “não dá para planejar no Brasil”. E as justificativas são vastas, passíveis até de classificação, como vemos a seguir:

Temos o grupo das “in”:
• Incerteza política;
• Inconstância econômica;
• Insegurança jurídica.

Se preferir, temos os efeitos “anuais”:
• Ano de eleição – a cada 2 anos;
• Ano de copa – a cada 4 anos;
• Ano do caos: eleição mais copa.

Temos até “dragões” de estimação:
• Da inflação (a justificar uma das maiores taxas de juros do mundo);
• Da oscilação cambial (sempre a atrapalhar nossas férias);
• Da alta do combustível (já foi crise do petróleo);
• Da carga tributária (Tiradentes que o diga);
• Da corrupção sistêmica (desembarcada das caravelas de Cabral).

Nasci em 1963. Lembro da minha primeira copa do mundo em 1970 e, desde então, me recordo também do rol de desculpas acima. Existe outra frase que permeou minha infância, juventude e maturidade: “Como vamos pensar em cinco ou 10 anos se não dá para saber o que vai acontecer no ano que vem?”

O fato é que todas essas desculpas são verdadeiras e acabam por alimentar álibis para o desempenho insatisfatórios de muitas organizações. No entanto, a chave deveria virar justamente para o outro lado. Um contexto desafiador destes dá motivos de sobra para tornar imprescindível o planejamento estratégico.

O planejamento sempre foi um instrumento vivo e dinâmico para direcionar a empresa, preparar e inspirar seus gestores.

Só com o planejamento é possível criar alternativas estratégicas para encarar cenários múltiplos, sejam eles adversos ou favoráveis. E quem planeja já estabelece vantagem competitiva, pois não está vagando à deriva ou agindo de forma reativa. Ao contrário: assume o comando, contornando de forma mais segura os obstáculos e aproveitando de maneira consciente as oportunidades. Em épocas de incertezas, ganha ainda mais relevância pela simples questão da sobrevivência ou diminuição das perdas.

O planejamento prepara os gestores com objetivos claros e pragmáticos de curto, médio e longo prazo, possibilita tocar o dia-a-dia sem perder a visão de futuro, ou, até melhor, sem abrir mão de criar essa visão de futuro. Empresas que planejam estão à frente em produtos e serviços e na relação com os consumidores.

Por fim, o planejamento inspira. É através dele que podemos falar em propósito, conversar sobre inovação, transformação, engajamento com o consumidor, com o colaborador, com o investidor e todos os stakeholders.

O planejamento nos conduz ao alto desempenho e à busca da excelência. Agora que 2019 está batendo à nossa porta pergunto: o que você vai sonhar ou criar para sua empresa? Pense bem, já está na hora de planejar e parar de se desculpar.


Tania Macriani é sócia-fundadora da MHD Consultoria, voltada ao suporte estratégico para startups, empresas e entidades de diferentes portes.

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