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Diversidade | 13/08/2018
Chega de falar sobre empoderamento e liderança feminina
Harvard, Forbes, Época Negócios, Veja, Exame... Todos os veículos clamam por equidade de gênero dentro das organizações. O pedido é por mais mulheres nos cargos de alta liderança, mais mulheres em tecnologia e ganhos equiparados entre gêneros. Quando o sexo feminino é empoderado financeiramente, há contribuição massiva para a economia mundial, além de diferencial competitivo para as empresas que lideram.

Apesar de tantos argumentos à favor, do outro lado, ouço mulheres se queixarem de que empoderamento feminino se tornou um modismo, de que feminismo é bandeira de mulheres extremistas. Os homens, por sua vez, torcem o nariz e viram os olhos quando ouvem falar na tal da liderança feminina. Também acho: chega de falar sobre isso. Este seria o mundo ideal: parar de falar porque não é mais necessário, já que a realidade passou a ser igualitária para todos.

A questão é que só poderemos parar de falar em empoderar as mulheres quando se tornar natural, cultural e real uma família criar seus filhos, homens e mulheres, sobre as mesmas bases, com direito e deveres iguais e possibilidade de escolher seus caminhos sem restrições por gênero. Não deve existir trabalho feminino e trabalho masculino, tarefa de casa de mulher e afazer de homem. Poderemos deixar de pedir igualdade quando mães e pais pararem de criar meninos para serem super heróis e meninas como princesas à espera do príncipe que virá resgata-las e protege-las.

Fomos todos criados, a princípio, para exercer papéis distintos e muito bem definidos: o homem precisa ser forte, focado, enfrentar animais perigosos, trazer o alimento para casa e defender sua prole. A mulher, por sua vez, tem a missão de cuidar de seu provedor, filhos e casa. Simples assim. Diante disso, é bom lembrar o real significado da palavra machismo, segundo o Aurélio:

Opinião ou atitudes que discriminam ou recusam a ideia de igualdade dos direitos entre homens e mulheres. Excesso de orgulho do masculino; expressão intensa de virilidade; macheza.



Assim, com milhares de anos de evolução em nossa história - guerras, revoluções industriais, tecnológicas e existenciais – chegou o momento de compreendermos que, embora vivamos os resquícios de uma civilização machista não há mais espaço para estes comportamentos nos dias atuais. É inaceitável que continuemos com exclusões e diferenciações em direitos e deveres para homens e mulheres.

Também não podemos admitir que nossos filhos e filhas sejam apresentados a possibilidades diferentes entre os gêneros e educados de forma desigual em suas potencialidades. Todos os seres humanos têm os mesmos direitos e deveres e devem ser respeitados e apoiados em suas escolhas e decisões. Livre arbítrio é um direito concedido a toda a humanidade desde sua criação.

POR UM MUNDO SEM FEMINISMO


Se estes estiverem entre os princípios da sociedade, feminismo, empoderamento feminino se torna termo desnecessário de ser pesquisado, debatido e enfatizado tão constantemente. Feminismo significa direitos e deveres iguais para homens e mulheres e sonho com o dia em que não seja mais necessário falar deste assunto.

Até lá, no entanto, vamos falar e agir para melhorar o patamar em que estamos. Afinal, uma sociedade mais igualitária beneficia a todos em diferentes aspectos:

- Financeiro: com presença em maior número nos cargos de alta liderança e ganhos equiparados aos dos homens, as mulheres injetariam muito dinheiro na economia global. Hoje, infelizmente, a presença feminina na liderança das organizações é de apenas 20%, em média.

- Intelectual:
orientadas, motivadas e apoiadas desde que nascem a desenvolver todo o potencial e tendência em qualquer segmento, as mulheres trarão ainda mais contribuições em áreas ainda pouco exploradas pelo sexo feminino.

- Enriquecimento evolutivo: a partir do momento que homens e mulheres se conhecerem e se respeitarem plenamente em relação aos seus potenciais e diferentes estilos de ver o mundo, as forças femininas e masculinas serão somadas e todos ganharão com isso.

Em um futuro igualitário, os homens estarão mais presentes no âmbito familiar com contribuição, imprescindível, na criação dos filhos e administração da casa. Já as mulheres serão vistas com mais frequência nas altas lideranças, contribuindo ainda mais com a ciência, tecnologia e economia, sem medo do impacto que ter filhos ou construir uma família teria em sua carreira.

A união das forças masculinas e femininas torna possível e mais harmônica a execução de todos os papéis: profissional e pessoal e, por consequência, a construção de uma civilização mais rica em todos os sentidos.

Chega de falar. Vamos agir.


Luceli Mota tem 25 anos de experiência na área corporativa em empresas como IBM e Promon. Especializada em comportamento e liderança, é cofundadora da LEW (Lead Equity Woman), consultoria que apoia empresas na busca por inclusão e pelo desenvolvimento de mulheres para cargos de liderança e defender a diversidade como meio de gerar valor aos negócios.

Este artigo foi publicado originalmente no site do projeto Presença Feminina no Setor Automotivo, iniciativa que visa gerar conhecimento e estimular a participação da mulher nesta indústria.

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