home not�cias an�lise quem � quem ABTV

acesse aqui a versão padrão

DE CARRO POR AÍ | 11/08/2017
O exitoso Kwid

Renault Kwid, fórmula para o sucesso

Nunca parei para tentar quantificar quantos lançamentos assisti, no Brasil e no exterior, em quase meio século na atividade de escrevedor sobre automóveis. Foram muitos, uns dois milhares. Olho no fato, no entorno e nos resultados permitiram desenvolver sexto sentido, aquele dos advogados quando leem os autos, avaliam o cenário, e sabem se terão chance de êxito – ou se é caso perdido. Ou o dos médicos olhando paciente em risco intuem se sobreviverá ou virará estatística. Não decupo as condições, mas vale o pacote produto, forma de apresentá-lo, medida de importância perceptível nos envolvidos no projeto. Introdução é para justificar o vaticínio: o Renault Kwid terá muito sucesso.

SUV dos compactos
A favorabilidade das condições começa pela apresentação aos compradores. O slogan é muito bom nesta época de siglas variadas e distorcidas – SUV, SAV, LUAV, CUV, crossover... –, todas imprecisas, mas “SUV dos Compactos” atende à moda demandada pelo consumidor, carro com jeito de músculos e força. Estilo bem definido é parcela da conta de favorabilidade.

Planejamento do produto indicou a filosofia, e o grupo criador foi mandado à Índia, onde o Tata Nano era o carro mais barato do mundo, comprou uma unidade e dissecou-a para entender o produto e o meio ambiente. A versão indiana ficou excessivamente leve, 600 kg, e mostrou-se insegura. Aqui aplicaram mais de 100 kg em reforços estruturais.

Composição é de bom planejamento: peso reduzido para faze-lo esperto com motor de 3 cilindros e um litro de deslocamento. Pouco mais de 700 kg para 70 cv de potência, um cavalo para transportar dez quilos, ótima relação – a gasálcool potência é 66 cv. A engenharia fez nova caixa de marchas, com menos 7 kg ante o modelo anterior; e cabeçote do motor sem o variador de abertura de válvulas, reduzindo 6 kg em peso e alguns Reais em custo. Idem para o limpador pantográfico de apenas um braço, e parafusos de fixação das rodas voltando à tradição francesa: 3 por unidade – em relação aos quatro dos outros produtos faz-se economia de 4 parafusos, quatro porcas – reduzindo peso e preço. (Sugestão à Renault, apertadas as porcas, há sobra de 2mm para facear com o parafuso. Podem ser reduzidas – 2mm x 12 porcas dá bem uns 20 gramas...)

Preço é parcela na exitosa conta. Por R$ 29.900 leva-se a versão Life, com quatro bolsas de ar, quantitativo não existente no segmento. Carro é pelado, sem ar ou direção – venderá pontualmente. Segundo degrau, Zen, é completo: ar + direção, travas e vidros elétricos a R$ 34.990. Por mais R$ 350, rádio com Bluetooth e entradas USB e auxiliar. Deve ser a mais vendida.

Acima, a Intense, R$ 39.990 inclui faróis de neblina com aros cromados, Media Nav 2,0 com câmera de ré e tela de 18 cm sensível ao toque. Diz a Renault é o carro de menor consumo no país. Preços para cores básicas. Metálicas, seguindo inexplicável tabela nacional, adicionais R$ 1.400.

Início de vendas pela internet superou enormemente as previsões e os agora inscritos receberão os automóveis em novembro. Surpresa, a Renault manteve os preços da pré-inscrição. Há complementação como garantia de preço contido para revisões para veículos financiados pela empresa. Garante, manutenção é inferior a R$ 1 por dia.

Mede 3,68m de comprimento, 2,42 m entre eixos, 18 cm na altura livre do solo, ajudam a desenhar a sensação de jipinho, conceito impreciso porém considerado.

Na prática, pelo racional e pelo emocional tem tudo para fazer muito sucesso.

POLO SEDÃ QUASE PRONTO


Virtus, o Polo 3 volumes

Surgiu na Internet ilustração do Virtus, o sedã Polo, lançamento no primeiro trimestre de 2018, cinco meses depois do hatch Polo – ambos construídos sobre e criativa plataforma MQB, capaz de ser esticada e contraída em comprimento e largura. Quem já o viu acredita ter distância entre eixos levemente superior à do Polo. Em tal pacote, como o irmão de linha, serão presença importante no mercado, servindo como conquista aspiracional aos motoristas ascendendo em motorização, ou descenso racional a quem busca veículos menores por fora mas confortáveis internamente.

Tecnicamente a plataforma é a A0, com eletrônica e conectividade em nível superior ao encontrado em veículos do mesmo segmento B. Em arquitetura mecânica, seguirá o Polo: 1 litro, três cilindros em linha, transversal, turbo, injeção direta, torque e potência elevados a 128 cv e 200 Nm, transmissão mecânica com cinco velocidades ou automática e seis. Outro será o 1,6 l, L4, dito EA211 – já é empregado na versão Confortline 1.6 MPI do Golf. No hatch médio, produz 120 cv, mas VW quer melhorar rendimento e reduzir o degrau significativo entre os primos 3 cilindros turbo e 4 aspirado. Produção na pioneira usina de São Bernardo do Campo, SP.

ARGO SEDÃ QUASE PRONTO

Parecia coisa arrumada, como volta e meia ocorre: uma novidade em pré-lançamento estacionada em local público, atrativo a fotografias. Deu-se semana passada com o Projeto X6S, a variável sedã do Fiat Argo, substituto de Grand Siena e Linea. Cinco unidades fizeram pose na beirada do Lago San Roque, em Córdoba, no meio da Argentina, onde começou a indústria automobilística de lá. Emanuel Rock, paparazzo do Autoblog.ar fotografou.

Apresentam novidade: distância entre eixos superior à do Argo, permitindo um sedã três volumes confortável e com porta malas de boa capacidade – como o Grand Siena. Quanto à parte mecânica, idêntica ao Argo: por enquanto duas motorizações de quatro cilindros: 1.3, oito válvulas, caixa de transmissão mecânica, 5 velocidades; e EtorQ 1.8, 16 válvulas, 135 cv, transmissão idêntica ou automática Aisin com meia dúzia.

Início de produção na Argentina ao fim do ano. Vendas no Brasil em prazo desconhecido, porém curto. Direção não aguenta mais as pressões da rede de revendedores, esvaziada em produtos.


Sedãs derivados do Argo, ainda sem nome, estacionados na Argentina
(foto Emanuel Rock/Autoblog)


POLO MASCARADO: BOM DE ANDAR

Disfarçado, Volkswagen fez apresentação dinâmica do Polo. Convidou alguns jornalistas a dirigi-lo. Eu estava lá. Fiquei surpreendido com o conjunto. Automóvel é feito sobre a nova plataforma MQB, a mesma do Golf VII, Audi A3, 4 e 5. Já o vira antes e tive boa impressão e com a sessão de dirigir confirmou minha certeza: se o preço não atrapalhar será fortíssimo concorrente no segmento, em especial porque ao momento do início das vendas, outubro, terá o bom conjunto com motorização 1.0 TSI – turbo soprando a 1,3 bar, injeção direta, 128 cv, 200 Nm de torque –, e transmissão automática, epicicloidal, de seis velocidades. Atenderá a quem deseja baixo consumo, ótima performance e o conforto do uso da caixa automática. Haverá opção de motor 1.6, mas de potência e torque ainda em definição.

Experiência foi no circuito doméstico da Fazenda Capuava, próxima ao aeroporto de Viracopos, e embora não espelhe o tipo de uso do consumidor padrão, permitiu aferir o mínimo – aceleração, frenagem, disposição para retomar velocidade, ótimo acerto entre direção, freios a disco nas quatro rodas e a suspensão McPherson frontal e eixo de torção na traseira.

Confortável internamente – motorista com 1,75m deixa espaço para passageiro do mesmo tamanho no banco posterior. Acomodação boa, ergonomia idem, incremento em conectividade e controles, tudo ajustável em tela, em sistema mais racional e menos nerd. Porta-malas pouco menor relativamente ao Golf. Em resumo, se o departamento financeiro não se entusiasmar para recuperar os prejuízos da empresa com apenas um produto, será acontecimento no mercado – ameaçando, inclusive, o futuro do Golf.

RODA-A-RODA


Swift Sport Turbo: baixo peso + turbo = performance econômica

Surpresa – Salão de Frankfurt, setembro, novidade Suzuki: Swift Sport Turbo. Na segunda geração do bem vendido hatch reduziu peso e cilindrada, conseguindo ótimos rendimento e consumo.

Anda – Preparava conceitos e base para a terceira geração, mesma plataforma, mantido o regime de emagrecimento, pesa apenas 890 kg – na versão 4x4 pouco mais. Motor baixou a 1,4 litro e a aplicação do turbo elevou a potência a 138 cv.

Performance – Tal desenvolvimento amplia o caminho para absorver compradores. Além da resistência e da boa construção, terá performance significante graças às ótimas relações entre peso e torque ou peso e potencia. A Suzuki continua familiar e solteira nestes tempos de casamentos e conjunções industriais.

Trilha – Bons números de venda do Ford Ranger entre picapes médias, pela primeira vez alinhando entre as três mais vendidas – Toyota Hilux, 3.065 unidades, líder, Chevrolet S 10, 2.672, Ford Ranger, 1.559, VW Amarok, 1.229 – está baseado no oferecimento de bom conteúdo, motor diesel (embora menor e menos potente) e preço.

Caminho – Toyota quer transformar picada em caminho criando versão de sua picape Hilux a menor preço. Manterá arquitetura mecânica diesel, cabine dupla, mas simplificará conteúdo e decoração. Quer atuar em faixa inferior. Lançamento em outubro.

Razão – Almoço de meia dúzia de jornalistas, David Powels, presidente da VW, pergunta: Por que o Ônix vende mais? Resposta dos seis: o MyLink. Por que? Respondeu a Coluna: Pelo fato de o comprador de pouca capacidade aquisitiva se sentir acima dos demais motoristas de carros baratos, nivelado aos carros com sistemas premium de conectividade como os Mercedes, Audi, etc. A mesma mística de quem compra Hyundai HB20.

Correria – Tempos instáveis, nunca se sabe do prazo de validade dos ministros de Estado, e por isso interessados na legislação Rota 2030, a regra da indústria automobilística para os próximos anos, tem tentado audiências com o ministro Marcos Pereira do MDIC. Querem ter a regra pronta e solidificada o mais rápido possível, para evitar eventual substituição detendo o processo.

Antenas – Fabricantes instalados sob a proteção do programa Inovar-Auto, ainda em vigor, anseiam por definição. Hoje tem pífio índice de nacionalização – alguns recebem os carros pintados –, coisa ofensiva, abaixo da assinalada no Governo Vargas (!), baixa produção, alto custo. Há marcas analisando fechar fabricação nacional.

Sinal – Caminho óbvio para não detonar as linhas de montagem em tempos de queda de vendas no mercado interno, é fomentar as exportações. Volkswagen tem feito isto com competência, elevando vendas externas em 52%. Argentina e México são os maiores mercados, e Gol produto mais comprado. É a maior exportadora de veículos nacionais.

Idem – Mercedes tomou mesmo caminho: exporta motores diesel da família OM 460 Euro 3, para Actros, fora de estrada Arocs e Zetros para a Alemanha. Vão para enfrentar jogo duro em caminhões exportados para África e Oriente Médio.

Gestão – Sob a condução de David Powels, o cargo de presidente da VW Brasil teve atribuições aumentadas para o continente. E com vice-presidência para exportações, tem incrementado pontualmente, país a país, participação da marca nas vendas. Exceto Brasil, Argentina e México nos outros 27 países importadores vendas cresceram 105% nos sete primeiros meses de 2017.

Negócio – Vender ao exterior é operação complexa, um compromisso institucional, a criação de relacionamento com importador e cliente, pois não se pode deixar o comprador sem assistência ou garantia de continuidade.

Também – Marcopolo, de ônibus, analisando crescimento de 15,3% relativamente a período idêntico em 2016, acredita ter iniciado período de recuperação no mercado brasileiro. Receita também reagiu crescendo 23,6%.

Conhece? – DAF, marca holandesa hoje controlada pelo capital norte-americano Paccar, fabrica caminhões no Brasil e acaba de entregar a unidade nº 2.000. Comprou-a a Transgobbi, cliente com 15 unidades.

Gente – Alberto César Otazú, 16, piloto de kart, revelação. OOOO Vem de série de vitórias e arrematou-as com o Gold Trophy, após melhor volta e ganhar prova no Kardódromo Ayrton Senna, SP. OOOO É esperança para em poucos anos fazer presença brasileira na Fórmula 1. OOOO Raul Randon, industrial de transporte, agronegócio, vinho e queijo, perfeccionista, aniversário. OOOO 88 anos – e trabalhando. OOOO Tem a fábrica de implementos com seu nome, vinhos e queijos RAR. OOOO
[ voltar ]