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AUTOINFORME | 13/04/2017
O novo carro da Fiat para o mercado brasileiro
A chegada do X6H simboliza a nova etapa da Fiat no Brasil que, sob o controle da FCA, vai trilhar caminhos em segmentos superiores. O carro já está pronto, rodando em fase final de testes e será lançado na primeira quinzena de junho. O hacht médio (do tamanho do Punto) cujo nome ainda não foi revelado (X6H é o nome do projeto), surge em paralelo com a modernização da fábrica de Betim, como modelo mundial, com potencial de exportação para além da América Latina e características que o colocam, segundo uma fonte do mercado, no topo da tecnologia automotiva em relação a qualidade, segurança e eficiência energética.

Feito sobre nova plataforma, tem soluções de design exclusivas para o mercado brasileiro. As prováveis motorizações serão o 1.3 GSE e o 1.8 eTorq, com opção de câmbio automático. A fábrica de Córdoba, na Argentina, vai produzir a versão sedã, o X6S, ainda este ano, modelo que também será vendido no Brasil em 2018, ocupando o segmento intermediário entre sedã pequeno e sedã médio, onde a Fiat tem hoje o Grand Siena e teve o Linea. O terceiro projeto da nova família é uma picape, intermediária entre a Strada e a Toro, que deve chegar somente no fim de 2018.

Embora a picape Toro seja resultado da parceria entre duas marcas, Fiat e Jeep, trata-se de um carro oriundo da companhia estadunidense. Assim, o X6H é o primeiro projeto fruto de investimentos da FCA na marca italiana, para enfrentar o novo período do mercado brasileiro, que mudou de patamar numérico (as vendas caíram pela metade em quatro anos) e conceitualmente, valorizando modelos de segmentos superiores e de maior valor agregado. Por outro lado, a demanda interna recuou nos segmentos de entrada, onde a Fiat tinha o seu principal foco até então. A nova política da FCA, controladora da marca, prevê o fortalecimento da presença da companhia em mais segmentos do mercado.

Para a empresa, a visão do mercado é compartilhada entre Fiat e Jeep, por isso a queda de participação da primeira não é vista com preocupação: com a consolidação, a FCA perdeu com a Fiat nos segmentos de entrada, mas ganhou 2,5 pontos percentuais de participação com a Jeep, o que dá ao grupo a liderança de vendas. No ranking por marca, a Fiat ficou em segundo lugar em 2016, atrás de GM, enquanto a Jeep entrou na lista das dez mais vendidas.

Todas as marcas antigas, que tinham seu foco nos segmentos inferiores, perderam com o amadurecimento do mercado. O segmento dos hatchs pequenos representava quase metade das vendas em 2007, com 47,5%; hoje tem 36,8%. Além disso, esse segmento, que era prioritariamente disputado pelas três grandes (todas com mais de 20% de participação) mais a Ford (cerca de 10%), passou a ter a concorrência de novas montadoras, como Renault, Hyundai e Nissan.

A Fiat continua líder do mercado de entrada, mesmo caindo de 327 mil unidades em 2011 para 100 mil no ano passado. A Volkswagen, que vendeu naquele ano 289 mil carros no segmento, ficou com apenas 82 mil em 2016 e caiu para a terceira posição, com a GM subindo para o segundo lugar, mesmo caindo de 149 mil para 86 mil unidades. A novidade no ranking foi a Hyundai, que é a quarta colocada com 68 mil carros 1000cc, na frente da Ford (61 mil) e da Renault (41 mil).

O amadurecimento do mercado, com crescimento das categorias superiores, se consolidou no fechamento do ranking de 2016, quando cinco carros grandes ficaram entre os 20 mais vendidos: Corolla em quinto, Honda HR-V em décimo, Renegade em 11º, Toro em 14º e Hilux em 18º.

AMÉRICA LATINA

A estratégia da FCA para a marca Fiat no Brasil é parte de um planejamento maior, para todo o continente, considerando investimentos também na fábrica da Argentina, que terá modernização no processo semelhante ao da unidade de Betim, com a implantação do conceito Indústria 4.0. Chile, Colômbia e os países andinos também fazem parte do projeto que pretende fazer a marca presente nos vários segmentos do mercado. Isso porque, na visão da empresa, assim como o mercado brasileiro, os demais países sul-americanos estão amadurecendo. “Mercado maduro” é aquele que exige modelos com maior valor agregado, tecnologia, alto grau de conectividade.

Além de Jeep e Fiat, a Dodge também integra a oferta de produtos para o continente, marca que já tem certa penetração em alguns países da região.

MANUFATURA AVANÇADA


A Indústria 4.0, ou Manufatura Avançada, é um conceito criado na Alemanha para a fábrica operada totalmente pela internet. Todos os processos de produção têm conexão entre pessoas, máquinas e sistemas com o objetivo de simplificar as atividades e garantir a máxima qualidade. Cada operador tem controle direto sobre a qualidade de cada carro através do sistema NPL (New Plant Landscape), que permite uma gestão integrada e em tempo real dos dados de produto e processo.

Para cada carro são rastreados os dados das peças montadas e assegurados os parâmetros de qualidade. A conexão entre as máquinas analisa os parâmetros de processo e planeja os ciclos de manutenção sem precisar parar a linha de montagem.

A fábrica da Jeep em Goiana já é integrada aos fornecedores e todos operam sob o mesmo sistema de comunicação em tempo real para garantir o fluxo logístico, reduzindo o nível de estocagem. O mesmo processo está sendo instalado em Betim. As linhas do Mobi já seguem os conceitos da Indústria 4.0, assim como da fábrica de motores Firefly, também em Betim, inaugurada setembro do ano passado e que recebeu investimentos de R$ 1 bilhão.

INVESTIMENTO DE R$ 4 BILHÕES

A direção da FCA avalia que o que interessa é o resultado do grupo, que teve 17,8% de participação no primeiro trimestre deste ano, com 82 mil carros e a liderança de vendas. No ranking por marca a liderança é da GM, com Fiat em segundo e Volkswagen em terceiro. A Jeep é a décima marca mais vendida.

“Os números da Fiat refletem a transição do nosso portfólio. A empresa está renovando a gama de produtos porque o mercado está mudando e alguns de seus clássicos e campeões de vendas completaram seu ciclo de vida”, disse um dirigente da montadora. “Esse ciclo de investimentos (R$ 4 bilhões de investimento na nova fábrica de motores e em novos produtos) mostra uma empresa disposta a se reinventar.”

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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
joelleite@autoinforme.com.br
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