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AUTOINFORME | 05/04/2017
Artimanhas para ludibriar o consumidor
Dia desses a Caixa Econômica Federal lançou uma linha de crédito para, segundo o banco, facilitar a compra de moto ao consumidor. Legal, né? Juros de baixos e sessenta meses para pagar. A questão é que a oferta não é o que parece: os juros não são de 1,75% ao mês, mas a partir de 1,75%. Isso significa que os juros não podem ser menores do que esse porcentual, porém há possibilidade de que eles sejam maiores até o infinito.

E o pagamento não é exatamente em 60 meses, mas em até sessenta meses. Essa outra falácia significa que este é o prazo máximo, mas ninguém garante que o banco vai oferecer esta condição ao cliente. O programa da instituição financeira citada, por exemplo, prevê financiar até 90% do valor da moto. O “até” dá margem ao banco para financiar quanto quiser, 80%, 60%, 40% ou 1%.

As pegadinhas do varejo vão além: a conjugação do verbo no condicional é uma ferramenta muito utilizada nas campanhas publicitárias e pode levar o consumidor ao engodo: “O prazo de financiamento poderá chegar a 60 meses”. Na comunicação escrita, anúncios de jornais e revistas e mesmo na mídia digital, o vilão é o asterisco. Oficialmente a estrelinha quer dizer que existe uma explicação adicional. Mas nas mãos dos publicitários muitas vezes o asterisco significa “isso é mentira”.

Lá no pé da página, em letrinhas microscópicas, o asterisco revela a verdade: você vai descobrir que o preço do carro não é exatamente os R$ 39.990 grafados com destaque no anúncio, mas R$ 5 mil, R$ 10 mil a mais. Sim, existe o carro de R$ 39.990, mas ele é bem diferente da foto que aparece na propaganda: não tem pintura metálica, rodas de alumínio, câmbio automático, bancos de couro etc.

As tentativas de atrair o consumidor têm infinitas artimanhas e estão em todos os setores da economia. Quantas vezes você não se animou em comprar um apartamento com uma pequena entrada e prestações de R$ 2,5 mil? “Poxa, uma prestação dessas dá pra pagar”. Mas o asterisco mostra que, após a entrega da obra, a prestação sobe para R$ 8 mil. A estrelinha vilã revela também que os 102 m2 anunciados se transformam em 66 m2, descontada a área comum do condomínio.

E a viagem dos sonhos? “Amã, Jordânia, via Dubai, por US$ 1.935,00”. No pé da página, corpo cinco, o aviso: preço válido somente de 12 a 18 de setembro, permanência mínima 15 dias, taxa de embarque não incluída. Tarifa sujeita a alteração sem aviso prévio.

Na venda do carro, do apartamento ou da pizza de domingo, a estratégia é a mesma: depois de recortar, durante 12 semanas, o cupom impresso na caixa que dá uma pizza de presente para o freguês fiel, o asterisco revela que a promoção só é válida de terça a quinta das 15h às 17h. E só de mussarela.

Portanto, muito cuidado com as artimanhas da publicidade. E fuja dos asteriscos.

CHEGOU O FUNDO DO POÇO?
Para um setor que há anos não divulga uma boa notícia, o aumento de 6,1% nas vendas em março pode significar um respiro e, quem sabe, o início da sonhada retomada. Mas é preciso tratar esse resultado com cautela: os 183,8 mil veículos vendidos foram consequência de um mês longo, com 23 dias úteis. Tanto que as vendas diárias continuam no patamar das sete mil unidades: 7.994 carros/dia. Mais significativo foi o resultado do acumulado no trimestre: uma queda de apenas 1,1% sobre 2016

MERCADO PARADO, MAS MUITAS NOVIDADES
Mesmo em baixa, o mercado brasileiro é um dos mais apetitosos do mundo e o que proporciona uma das maiores margens de lucro. Por isso as montadoras não perdem o pique: só nos últimos dias foram apresentados meia dúzia de carros: o Corolla 2018, o Mini Countryman, o Mobi com câmbio automático, o Ka Trail, o Honda HR-V Touring e a picape Frontier, além da S10 flex automática, que vem por aí.

SEMINOVOS NA FRENTE
O mercado de usados fechou o trimestre em crescimento, mas o segmento que mais aumentou as vendas foi o de seminovo, repetindo o bom desempenho do ano passado: os carros com até três anos de uso venderam 25% a mais do que no primeiro trimestre de 2016.

CHINA COMPRA 5% DA TESLA
A empresa chinesa Tencent Holdings investiu US$ 1,7 bilhão na Tesla, empresa estadunidense que produz automóveis elétricos, ficando com 5% das ações.

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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
joelleite@autoinforme.com.br
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