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Negócios | 10/11/2016
Bom momento para a governança corporativa
Por Fabio Mesquita Pereira Srougé e Marília de Prince Rasi Faustino

A situação econômica brasileira se deteriorou nos últimos anos, conforme demonstra relatório recente da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre o País. O documento, elaborado em 2015, aponta que a economia nacional entrou em recessão, que o real tem se desvalorizado e que o quadro fiscal se deteriorou (veja aqui). Além disso, o documento destacou que a dívida bruta está aumentando e que a inflação está elevada, dentre outros inúmeros dados desanimadores para o investidor.[1]

Esse cenário, cumulado com uma recente instabilidade política, cria ambiente turbulento e incerto no Brasil para as empresas, especialmente para as que atuam no setor automotivo, que vêm sofrendo com uma das maiores crises de sua história, e se esforçando na busca de uma luz no fim do túnel.

Assim, em momento de mercado desfavorável, o que as companhias devem fazer é analisar a própria estrutura. Aquelas que conseguirem implantar de maneira inteligente regras de governança corporativa têm mais chances de atravessar a crise econômica que assola o país. Afinal, segundo o aqui (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), com sua implementação, busca-se "reservar e otimizar o valor econômico de longo prazo da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão, a longevidade e o bem comum".

Mas afinal, o que é governança corporativa?

Uma definição mais singela poderia resumi-la como a criação de órgãos internos na sociedade, aumentando a burocracia para definição de estratégias. Mas não é isso. Trata-se de um conjunto de atos voltados para aprimorar a visão dos gestores sobre o negócio desenvolvido pela empresa, alinhando o relacionamento entre os sócios, executivos, agentes fiscalizadores e demais partes interessadas (denominado "conflito de agência"). Constitui-se por uma série de ações para organizar e descentralizar a tomada de decisões, conferindo aos seus diretores e conselheiros diferentes responsabilidades, tornando-as integras e isentas de parcialidade dos diretores.

Existem diversas sugestões de práticas a serem adotadas por empresas para a implementação de um modelo de gestão sustentável, mas, de fato, o mais importante seria a transformação do pensamento e da cultura da empresa. De nada adiantaria aplicar todas as regras sugeridas pelos diversos códigos espalhados pelo mundo se, no fim, há o engessamento da companhia por meio de burocratização na tomada de decisões. A governança corporativa não pode ser um fim em si mesma.

Assim, pode-se dizer que uma empresa que prime por princípios de transparência e trate com equidade todas as partes interessadas na sociedade, além de prestar contas de sua atuação de modo claro e agindo com responsabilidade econômico-financeira atuará com um melhor modelo de governança corporativa do que uma empresa que crie órgãos internos pró-forma.

Por outro lado, é importante, sim, adotar uma estrutura organizacional consciente, por meio de órgãos de administração, com a descentralização do poder e maior análise e fiscalização da tomada de decisão. Tal estrutura é fundamental para que a empresa seja longeva e íntegra na condução dos negócios.

Ao adotar as práticas acima elencadas, a sociedade terá maior segurança no processo decisório. Além disso, a transparência de informações é transmitida ao mercado que, com maior confiança, se inclinará a conceder-lhe crédito em condições mais favoráveis. Ademais, os custos envolvidos para sua implementação são moderados, e os benefícios a médio e longo prazo são consideráveis.

Conforme estudo realizado pelo IBGC durante os anos de 2004 e 2012, o índice de práticas de Governança Corporativa (IPGC) das empresas listadas na bolsa que atuam com bens industriais aumentou de 3,4 para 5,6[2]. Ou seja, em uma década, já houve significativo crescimento dessas práticas dentre as empresas do setor. Apesar de todo este movimento, a governança corporativa ainda continua sendo deixada de lado por muitos empresários.

Ao invés de questionarmos o novo governo quando que o mercado automotivo voltará a aquecer, talvez seja interessante aproveitar a oportunidade de olhar para si e melhorar a estrutura interna das empresas. Os resultados virão naturalmente.
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